Voltemos às virgens e à decência

Parece que passam 120 anos sobre a estreia do Quebra-Nozes, de Tchaikowsky. Eis uma coisa que não me interessa nada. Acho o bailado, no geral, fastidioso e a música que o acompanha, salvo raras exceções, fastidiosa. As próprias bailarinas me fastidiam. Enfim…

Mas gosto do Tchaikowsky do concerto para piano e orquestra (nº1 em Si bemol menor, com Rubinstein a tocar a partitura original), do concerto para violino (em Ré maior) aquele do filme O Concerto, de Radu Mihaileanu (além de que Anne-Sophie Mutter me faz chorar quando toca), da – sim confesso – Abertura 1812 e dos canhões todos a troar, da Sinfonia nº 5 (Mim menor) etc. etc.

Mas só para chatear o Google, que dá estas informações interessantes (120 anos do bailado Quebra-Nozes) e para repor a decência nesta página onde um fala de pornografia e outro de impérios com 22 amantes, e outra de poemas nus, e inspirado naquele Bellini que nada tem a ver com este, Vicenzo, que aqui deixo, venho postar o ‘Sou uma Virgem Viçosa’ (ou charmosa, como preferirem), tirada da ópera Os Puritanos de Bellini. É que está na altura de falar de virgens! E logo esta que é branca, humilde, como um lírio de abril e tem um seio gentil! Oh, raio, não há nada que não vá dar à anatomia. Mas a culpa há de ser do libretista, um tal Carlo Pepoli, segundo diz a Wikipedia.

E aqui fica uma Desirée Rancatore a fazer de Elvira, que apesar do seu ar pouco virginal, canta bem e até me alegra (eu preferia Joan Sutherland, ou até a Callas, mas só há com imagens paradas). Também fica a letra (para os puristas libretto), para verem que pouca vergonha já havia em 1835, quando a ópera foi estreada – apesar de se chamar “Os Puritanos”. (Onde está sublinhado, em tradução livre diz – tenho os cabelos perfumados de cingir as tuas rosas; tenho o seio gentil para o teu laço).

Ó para ela, tão virgem, mas…

 

Ah si!
Son vergine vezzosa
In vesta di sposa;
Son bianca ed umile
Qual giglio d’aprile;
Ho chiome odorose 
Cui cinse tue rose;
Ho il seno gentile
Del tuo monile.
Qual mattutina Stella
Bella voglio brillar
Del crine le moli anella
Mi giova ad aggraziar

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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3 respostas a Voltemos às virgens e à decência

  1. Curioso (fundido) diz:

    Fatal esta abordagem, estoirou os fusíveis ao servidor, que por fundamentadas motivações deixou de ser fiel. Acresceu a receita corrosiva lá no final do gosto/não gosto à volta dos bailados e by de lado. Como tudo isto é supostamente de graça… aparecem estes custos acidentais, nada tristes, bem pelo contrário 🙁

    • Henrique Monteiro diz:

      Sim, eu quero os comentários da Maria do Céu Brojo de volta

      • curioso (cáus tico) diz:

        subscrevo: eu ataquei os três ociosos dela e quero divi dendos 😉

        a da soda cáustica tem que ser regenerada, pois é perigosamente corrosiva 🙁

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