A caminho das trevas

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Máximas orwellianas

Estado de espírito influenciado pelo conhecimento de uma sentença de um tribunal e de alguns comentários produzidos a esse respeito

The bright day is done
And we are for the dark
William Shakespeare, Antony and Cleopatra

 
Olhem o animal que há dentro de vós. Ele espreita, o animal
É terrível o animal que está dentro de vós. Ele magoa, o animal
E vejam a selva em que vos transformastes, densa e escura
Lembrem o corpo, o impulso, o amor, a loucura

Olhem a estúpida alma que anima o sopro que vos resta. E o que vos resta?
É pouco, se comparado com o sonho e com a esperança o que vos resta.
Mas andastes sempre desassossegados e inquietos, à procura
E nunca, nunca, nunca encontrastes a idealizada alma pura

Olhem a morte que vos espera, que na esquina da vida está à espera
Ela é fria, é cobarde, assassina, inútil, vã – e apenas está à espera
Mas pensastes fugir-lhe pela palavra, pela música, pela pedra que perdura
E tudo se perdeu numa amálgama disforme e obscura

E pronto, é assim. Tenham calma que ainda não estou deprimido…

 

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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8 respostas a A caminho das trevas

  1. curioso (macarizado) diz:

    mas quase… será o caso Macário?

  2. Henrique Monteiro diz:

    Qual dos Macários? O do Algarve ou o da Singularidades?

    • curioso (50/50) diz:

      na dúvida… 50/50 😉

      se fosse só tribunal…

      Declan O’Donovan disse ao presidente da Câmara de Lisboa que já andou de táxi em todo o mundo e que não encontrou taxistas (tão mal educados) como os portugueses.

      en passant…
      «Para além da duplicidade temporal, o conto também se serve do paralelismo das situações com as diferenças necessárias para o evoluir do enredo. Este tipo de composição permite um maior distanciamento do leitor relativamente à história contada, sugerindo que o leitor acione o seu espírito crítico de modo a não se deixar levar pelas aparências como aconteceu com Macário. À boa maneira realista, propedeuticamente, o caso de Macário deve funcionar como uma lição e evitar que o leitor incorra num erro semelhante.»

      • Henrique Monteiro diz:

        Ok, estávamos a falar das Singularidades de uma rapariga loira

        • curioso (pedq) diz:

          ok (50/50)

          quanto ao da loira, aquela é uma análise propedêutica ao tal conto do tal Macário.

          quanto ao do Al Garve, a depressão não o faz abandonar o cargo.

  3. Panurgo diz:

    Há tempos aprendi que as únicas sentenças que nos devem deprimir são as das mulheres.

    Mas Shakespeare não é bom conselheiro. O homem era obcecado por «aquilo», um «cuntiano» doentio.

  4. Grande Shakespeare, verdadeira “camera obscura” da condição humana.

  5. nanovp diz:

    Depois de ler senti-me melhor Henrique….

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