A minha Personalidade do Ano 2012: Lazy Abdallah Kiminha!…

Tenho um desprezo quase enorme pela maioria das efemérides. Seja porque o desbotado secular se nota mais, seja porque a respectiva festa há muito se tornou mais importante do que a própria razão desta alguma vez ter acontecido.
O dito Ano Novo será na melhor das hipóteses a efeméride da sofrível astrologia papal, que certo dia produziu um Natal em data improvável e uma mudança de ano já fora do Solstício do Inverno – quem sabe se como mera forma de retirar importância à tradição pagã mais ou menos vigente nesses tempos tão simultaneamente rudes e clássicos.
Portanto, também não ligo pevide ao ano novo – não passa, acho eu, de informação importante para contabilistas, ROC’s e afins.
No entanto, e já numa perspectiva aceitavelmente histórica, olhar para o ano que acabou pode ajudar-nos a aferir da sua importância no correr do Tempo nas nossas vidas – não só numa análise do colectivo e seus múltiplos conjuntos, mas, mais importante ainda (para mim, claro!), do ponto de vista individual.
E é aí aqui que a porca torce o rabo, a mula escouceia telhados e sei lá eu que mais!
Porque vasculhei a história do ano findo e – de entre tudo o que aconteceu de mal ou bem ao mundo e às pessoas (comigo lá no meio, bem entendido) – a única coisa que realmente me entusiasmou foi o nascimento, em Agosto, daquela que decidi aclamar hoje, Primeiro de Janeiro de 2013, como Personalidade do Ano 2012: Lazy Abdallah Kiminha – uma jovem e atrevidíssima mescla de cães de pastor que, desde o último Equinócio, faz parte da família.
Chegou com a insuspeita fama de ser a mais tímida da ninhada.
E até parecia!

Cartaz político de José Eça de Queiroz

Cartaz político de José Eça de Queiroz

Mistura de peluche grande e desenho animado 3D, apanhou-nos desprevenidos e rapidamente tomou conta da casa e do grosso das atenções: dorme inevitavelmente num dos quartos com gente dentro. Em cima da cama. Quando no nosso quarto, entre a Teresa e eu – eventualmente dividindo o travesseiro ortopédico de um e espetando as quatro patas esticadas na cara do outro.
É mais ou menos isto que se passa à noite, depois de um dia de correrias loucas, destruição de vasos no terraço, dentadas nisto e naquilo, mais uma almofada que se foi, e se me mordes outra vez levas uma bofatada que até voas!…
Tem de ser assim, é um nadinha rústica… Mas vai lá.
O seu baptismo foi um momento de certa complexidade, à conta de um já velho snobismo familiar de dar três nomes às nossas cadelas – particularidade de que dei conta em tempos idos, tempos particularmente descarnados (vai assim porque não consigo  activar a morada electrónica:  www.etudogentemorta.com/2010/10/abaixo-de-cao/).
A decisão de não dar continuidade à Dinastia das Sornas Marias (Pindérica e Jagunça, na sequência) foi difícil. E tão difícil foi que optámos por solução mais global: primeiro anglicizámos o «Sorna» e surgiu a Lazy; depois fomos buscar o insuportável Abdallah (TinTin no país do Ouro Negro) para caracterizar a sua inesgotável capacidade de fazer asneiras – na maior parte dos casos com perfeita consciência disso! (cruzes!, entusiasmei-me…); finalmente, o Zé encontrou-lhe uma personalidade tirânica de provável inspiração norte-coreana ou até albanesa.
Como o Enver Hoxa já morreu e não tinha qualquer piada, a decisão caiu sobre a bem mais cómica e razoavelmente viva opção: os Kim.
Daí o Kiminha – até porque é menos preocupante.
Mas não se pense que é inofensiva, nada disso!
Quando tinha dois meses e pesava cinco/seis quilos, até tinha graça ser acordado pelo tal peluche 3D, que mal conseguia subir para a cama.
Agora se apanha a porta do quarto aberta, cai-me às quatro patas em cima com os seus 16 infantis quilos e eu não sei se estou a ter um ataque cardíaco ou se afinal de contas os Mayas é que tinham razão…
Porque é que Lazy Abdallah Kiminha é a minha Personalidade do Ano 2012?
Na verdade não vou dizer, acho que um pouco de mistério fica sempre bem nestas coisas, mas há quem diga que é como ter de novo um bebé em casa.

Quem já teve normalmente gosta.

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo. E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado. Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.
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9 respostas a A minha Personalidade do Ano 2012: Lazy Abdallah Kiminha!…

  1. António, a Lazy Abdallah Kiminha, a seu modo uma Lady que gosta de caminha, devia já passar a mascote da ESCREVER É TRISTE.

  2. Isso pode trazer problemas, Manel… É que embora muito mais elegante que o Soares, ela é contudo um perfeito «animal político».
    Talvez se eu a conseguir reeducar… Veremos! Dá-nos uns dias, uma semana, vá lá….

  3. nanovp diz:

    Claramente queremos Lazy Abdallah Kiminha, nem pensar no Soares…

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    E eu que adoro mistérios…

  5. Em parte o ‘mistério’ está desvendado, Céu…

  6. Minhona diz:

    Tudo espremido: “está feito” !!! Apaixonado, rendido e súbdito de uma Lady Kisua. Bem feita!!!

  7. Claro que sim, mas súbdito não
    Já lhe expliquei quem é o macho alfa…

  8. Já lá vão + de 50 anos. Mais maduro, mas continuas o mesmo Eça, que conheci. Ainda bem, porque eu gostava dessa rebeldia e dessa cabeça meia marada.Por vezes sigo-te por aqui e vejo com satisfação, o que acima descrevi. ABR.

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