Declaração temporal de um misfit

Ninguém gosta do tempo presente, ninguém. Todos os conservadores pensam que dantes era melhor, mais ético, mais limpo, mais educado. Todos os progressistas gostam do tempo que há de vir, dos amanhãs que cantam que hão de ser mais éticos, mais limpos, mais justos. Eu gosto do tempo presente, não tenho nostalgia do passado nem do futuro e nesse sentido sou um ser estranho, ou um misfit

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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7 respostas a Declaração temporal de um misfit

  1. Jorge Correia diz:

    Eu, provavelmente, sou Conservador. Conservador mesmo porquê vivi uma fase da vida no que chamaram de fascismo e vivi e senti que havia muito mais respeito, os politicos nomeados eram um exemplo, mais educação e um POVO pobre mas que vivia sem esta dor de falta de verdade, de desentendimento, de políticos que são um autentico desastre.

  2. Ah, Henrique e se um tipo gramar à brava do presente que lhe dá oportunidade de se deliciar com o suculento passado, abrindo-lhe a janela de um futuro ocioso, de massagens às 4 da tarde e dias de aturada reflexão em areais escandalosamente tropicais?

  3. curioso (demó crito) diz:

    uma coisa é viver insatisfeito com o que se tem e manter esperança fundamentada de alcançar melhorias em tempo ‘útil’, nem que seja na reforma/aposentação/jubilação… outra coisa é viver pasmado com com tantos facilitismos, não conseguir imaginar nada de interessante para realizar e… em resposta pela culatra, começar a sofrer com o presente, temendo a amarga incerteza do futuro (com tanta ciência económica e política desperdiçada a correr pelas ‘valetas’ 🙁

  4. CeC diz:

    Eu felizmente sou hedonista; por isso satisfaço-me com o presente. É que passado é desperdício, futuro é para aproveitar, presente é …. mais não seja, desfrute.

  5. Teresa Font diz:

    O Henrique Monteiro, se é um misfit, é por dizer o que por cá raramente se diz. Não se indigna nem com o FMI nem com a Pepa. Gosta do presente. Só falta declarar-se satisfeito com a vida, em vez do ‘vamos andando’ ou’assim assim’ que a maior parte responde ao ‘como está?’ , mesmo o de rotina. Já nem falo de quem levanta a camisola para mostrar os vestigios de uma qq desgraça, que isso das doenças é . entre nós, levado com brio de competição olimpica. (quem é que dizia: não se pode perguntar a um português como é que está, porque ele diz?).
    Morei anos numa tera muito pequenina, onde nada parecia mudar , mas algumas coisas iam mudando.
    Quando estava esparramada num sofá confortavel, a comer uma sandwich de salmão fumado razoavelmente feita e a sentir o cheiro dos pinheiros aquecidos pelo sol, aparecia alguém a declarar que “Ah, o B. (onde estavamos) dantes é que era bom”. Dantes era um casinhoto com queques de oito dias, moscas a voar à nossa volta e cadeira desengonçadas que caíam com alguma frequência. Mas não sendo misfit não se pode responder: “Engano teu, o B. melhorou muito , a tua vida é que ficou uma desgraça”. Carpo, digo curto mais a noite, mas é esta.
    Já agora diga que tem uma saúde de ferro e dinheiro que chegue, não se esqueça.

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