Mínimas – iii

Vistas bem as coisas, a única maneira de tratar a vida, e o amor, é como o forcado ao touro, em reverente desafio: eh touro preto! touro, touro, touro! E pegá-lo de caras. E se se apanhar uma cornada de tingir tudo do encarnado mais quente, uma das de acender o escuro, ser como o foi na infância dos dias um querido amigo, no hospital, depois de colhido por uma besta linda de força: “um homem quando morre vai de barriga para cima. É preciso é que tenha valido muito a pena.”

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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9 respostas a Mínimas – iii

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    E apenas não vale a pena se a vida for pequena.

  2. curioso (dez a fio) diz:

    especialmente as mulheres, não que morram, nem colhidas por lindas bestas de força, mas saciadas sejam e com reverente dez a fio, de barriga para cima 😉

  3. Rita V diz:

    … de caras!
    Boa!

  4. A vida como tauromaquia, uma verónica média, a bela chicuelina e olé.

  5. nanovp diz:

    A morrer, mesmo de barriga para cima, que seja de amor Eugénia, que cá de touros percebo pouco e ouvi dizer que são pesados!

  6. E lá se morre de outra coisa, Bernardo?

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