Mínimas – vi

De vez em quando, uma felicidade que ninguém merece, aleatória como a dor de cabeça ou acabar de nascer num país em guerra fraticida, dá-se. Dá-se. Os abençoados falam a língua dos anjos, profetizam e curam porque Deus está neles quando eles estão em Deus. Não será muito diferente disto. Ser feliz é um desegoísmo: algo em nós cria espaço para que outro se faça em nós. Gera-se vazio para receber o que preenche: nada nos educa tanto, nem tão bem, como o corpo de amor e de paixão.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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5 respostas a Mínimas – vi

  1. curioso (com paixão) diz:

    nascer entre fratri cidas pode ser uma felicidade… quem sabe? mas não se merece: acon tece.

    onde estiverem dois, aben çoador e aben çoado, está Deus, está o diá logo, está o amor, está a cura, estão os corpos que materializam a carência e a dádiva. a partilha. a solidariedade. a não solidão.
    de paixão… não sei não…

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Não entendi lá muito, mas soou bem. Problema da minha lerdice, está visto.

  3. Diz bem, Eugénia, mas vai-se pela rua, entra-se nas casas, viaja-se no metro ou num avião e cada vez mais cada corpo é uma cerrada fortaleza.

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