Não guardes quatro anos o que podes beber hoje

Cristal Brut 2002 HDB

 

Terminadas as festas (ou quase, por casa ainda tenho Los Reyes, no dia 6) posso fazer um balanço, bastante balanceado, um pouco mesmo almareado, sobre o que melhor me soube na quadra. E foi isto cujo despojo de guerra veem aqui em cima. Um Louis Roederer (casa de Reims que adquiriu a Ramos-Pinto há já uns anos) Cristal Brut de 2002. É um champanhe vintage, daqueles que embarcavam para o Czar das Rússias em garrafas de cristal e daí o nome.

Só depois de o beber, quando consultei o guia arrumadinho que tenho numa aplicação do iPhone, descobri que o devia ter guardado mais quatro anos – parece que ficaria com uns aromas e paladares ainda mais sofisticados e valorizados.

Porém, além de ser uma desconsideração pelo amigo que me ofereceu a preciosa botelha  (daquelas que caso sejamos atropelados na rua, quando a transportamos, nos faz desejar que o líquido a escorrer seja sangue), pensei: e se o guia não tem razão e daqui a quatro anos não se tiver valorizado nada? Ou, pior ainda: e se daqui a quatro anos eu não estiver tão bom, de modo a apreciá-lo?

Nã! Fiz bem em bebê-lo. Soube-me lindamente e fiquei com assunto de conversa. Não se deve guardar quatro anos o que se pode beber hoje!

Bom Ano

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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12 respostas a Não guardes quatro anos o que podes beber hoje

  1. curioso (raposeiro) diz:

    claro que faz uma bruta figura e cristaliza a inveja de quem se contenta com uma vulgar Raposeira 😉

    além do líquido, e do sólido, há um terceiro elemento também nosso, semi-sólido, que excelentemente contribui para a conservação do precioso conteúdo.

    mas se a etiqueta diz 2002… já lá vão dez… e é grande o risco de degradação. já me aconteceu. deixei de acreditar que em garrafa algum líquido possa ganhar qualidade com mais anos em cima.

    à nossa! também com o que é ‘nosso’ 😉

  2. Rita V. diz:

    Ah ah ah
    À sua …
    Melhor!
    À nossa.

  3. nanovp diz:

    A sede não deve esperar…Saúde!

  4. Paula Santos diz:

    À saúde deste blog! Por mais 4, 40, 400 anos ;-).

  5. Henrique Monteiro diz:

    Bebamos! Bebamos! Para esquecer, para entristecer, para celebrar e para lamentar a nossa tristeza que é, claramente, a nossa riqueza.

  6. E antes só que acompanhado:

  7. Fernando Ferreira diz:

    Boa opção!
    Já que nos querem confiscar o prazer de viver, não me admiraria que tenham a tentação de taxar os prazeres que temos em casa!

  8. António Barreto* diz:

    E fez muitíssimo bem! Isto de ficar à espera indeterminadamente, nem sempre é boa ideia.

  9. Maria do Céu Brojo diz:

    Viva! Adiar é sempre uma «Triste za».

  10. mónica diz:

    sem dúvida! ficamos todos a ganhar

  11. Que inveja…à nossa.

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