Número Zero

“Não me repugna caminhos que não são tradicionais.”
Frase de Maria de Lourdes Pintasilgo no que viria a ser o seu ‘último acto público’ no dia 2 de Julho de 1994. Durão Barroso tinha acabado de abandonar o governo. Para muitos o princípio do que agora chamamos crise.
No livro organizado por Helena Silva Costa, o texto de São José Almeida ajuda-me a lembrar por que carga de água aceitei o convite para fazer a ilustração da capa do número Zero e desenhar o logo do título da Revista Animador de apoio ao MAD, Movimento de Aprofundamento da Democracia em 1984.

«… Maria de Lourdes Pintasilgo viveu a quebrar tectos invisíveis, telhados de vidro, preconceitos atávicos. Foi a primeira mulher engenheira química-industrial em Portugal, licenciando-se aos 23 anos, no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Foi a primeira mulher membro da Câmara Corporativa (1969). Foi a primeira ministra dos Assuntos Sociais (1975). Foi a primeira mulher candidata a Presidente da República em Portugal (1985). Foi a primeira mulher portuguesa eleita eurodeputada na qualidade de cabeça de lista, quando, em 1987, encabeçou, como independente, os candidatos socialistas, nas eleições para o Parlamento Europeu….»
in “Entre senhores sisudos de fatos escuros”, do livro “Maria de Lourdes Pintasilgo, Retrato sem Moldura”, organizado por Helena Silva Costa, Bertrand Editora, Lisboa, 2012, pp. 98 e 99.

RitaV_Nº Zero_Revista Animador_1984Número Zero, agradecimento pela cedência da imagem à Drª Natércia Coimbra, Directora do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra

Aceitei fazer a ilustração por ter admiração pela coragem de Maria de Lourdes Pintasilgo.

Passaram 29 anos e o Walter pergunta-me se são os pais dele que andam ali aos pulos a construir Portugal. Eu digo-lhe que sim!
Revista Animador_1_2

 

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

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20 respostas a Número Zero

  1. cgs diz:

    Brava, Rita.

  2. Querida Rita, há um ano ou pouco mais, a rtp2 passou um documentário de Graça Castanheira sobre Maria de Lurdes Pintassilgo. Uma coisa francamente bem feita.

    Imagine o gosto que se tem ao entrar neste blog e descobrir esta capa número zero, de 84!, boa boa capa, pela sua mão! Que alegria de post, que bem arrancado com a frase de Maria de Lurdes Pintassilgo e que bem encorpado com o excerto do texto de São José Almeida do livro de Helena Silva Costa. Fartei-me de gostar.

  3. Já só me falta ler que eras fã do “companheiro Vasco” 😉

  4. MJG diz:

    Gostei. Muito. Recordo, com saudade, gente de mente sã e empenhada. Obrigada.

  5. O que gosto da sua capa. Tão boa. Boa lembrança, Rita. A Pintassilgo é daqueles casos que me suscita tanto mais simpatia, quanto mais lhe refuto o ideário político. Vota-se contra e continua a gostar-se dela.

  6. Teresa Veloso diz:

    Fantástico Rita, não conhecia este desenho! adorei a interacção dos personagens com o logo do nº zero da revista Animador.
    também “Não me repugna cami­nhos que não são tra­di­ci­o­nais.”

  7. isabel diz:

    Bien!!! Bien!!! Bon chemin !!!!TRES intéréssant!! ^^))

  8. Maria do Céu Brojo diz:

    Muito bom, querida Rita. Nem menoridade era de esperar.

  9. nanovp diz:

    Que grande currículo Rita, e já se reconhece o traço…

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