O umbigo da solidão

04012013_00000Victor Brauner, Adão e Eva, 1923, 70 x 100 cm, ICEM, Tulcea

Apeteceu-me escolher um quadro visto ao vivo e a cores. Por sorte ou acaso, estive diante de Adão e Eva do surrealista romeno Victor Brauner na Primavera de 2009, no Museu do Chiado, na exposição As Cores da Vanguarda – Arte na Roménia (1910 – 1950). Sempre que olho para a capa do catálogo que veio comigo debaixo do braço para casa (e que reproduz precisamente um pormenor do quadro, deixando a carnívora maçã de fora), parece que estou a assistir à invenção da palavra “nós” e à estreia da solidão (só há solidão quando se pode subtrair). Um homem e uma mulher (cada um que lhes dê os seus nomes) – talvez seja esta a mais velha história do mundo. Aquela que, sem sabermos bem porquê, não nos cansamos de reinventar. Sou toda olhos para as vossas palavras, tristes Adãos e Evas deste paraíso de píxeis feito.

Sobre Maria João Freitas

Graças às palavras, às vezes sou Alice e faço perguntas sem parar. Outras, sou a namorada (platónica, esclareça-se) de Wittgenstein. Quase sempre, penso que tenho a sorte de viver da (e na) escrita. Porque escrever pode ser triste, mas é melhor que ser feliz.
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5 respostas a O umbigo da solidão

  1. curioso (so mando) diz:

    a eterna cara-metade (e o tipo das costas largas) 😉

    (não quero poder sub trair)

  2. Rita V. diz:

    Boa! Looking forward.

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    A este também não vou falhar. Boa escolha.

  4. curioso (ser pente) diz:

    ao destino ninguém foge… 😉

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