Os grandes novos provérbios

Andando o povo a precisar de distração, e tendo os mestres pedido que a arte demoníaca do riso faça parte dos nossos costumes, aqui deixo para gáudio daqueles que ainda o têm, ou porque não o empenharam ou porque o conservaram sem gasto, uma coleção de grandes novos provérbios que, em tempos, coligi. Qualquer referência menos politicamente correta vai, desde já, acompanhada do meu pedido de desculpas e de uma sessão de penitência que, mais logo, organizarei no recato.

expressoes-brasileiras-em-inglês

Não usem gritar em cima de desperdiçado leite
– Eis o provérbio com tradução de inglês técnico…

Todos os provérbios são originais, mas alguns até são bons. Ora tomem:

— A galinha do chinês é mais rica do que qualquer português;
— A Relvas dado não se olha o dente;
— Não há fome que não dê em subsídio;
— Candeia do Relvas alumia duas vezes;
— O pior cego é o que não quer ver a dívida;
— A verdade é como Santana Lopes, vem sempre à tona:
— Em abril, impostos mil;
— Albarda-se o burro à vontade da Merkel;
— Uma mão lava a outra e as duas lavam o Relvas;
— Longe da direita, longe da governação;
— As verdades são para serem ditas… se não forem sobre Angola;
— Cá se fazem, em Paris se gozam;
— CGTP que ladra não morde;
— PS, PS, a gente nem perdoa nem esquece;
— Em casa onde não há pão todos ralham e o Seguro vence o Congresso;
— Não há Jerónimo que sempre dure, nem Louçã que nunca acabe;
— De graça vai o cão à praça e o assalariado ao feriado;
— Grão-mestre a grão-mestre enche a maçonaria o papo;
— Muito devagar se ouve o Vítor Gaspar;
— Deitar cedo e cedo erguer faz o Paulo Macedo crescer;
— Cada um de nós tem de carregar a sua Paula Teixeira da Cruz ao Calvário;
— Miguel Macedo que malha, o mal pelos outros espalha;
— Eu sou como o Jacinto, tanto se me dá o Aguiar-Branco como o Aguiar-Tinto
— De um Nuno vive professor e aluno;
— Muita Assunção, pouca Cristas;
— Quem vai de Mota Soares, pode perder os lugares;
— Quem vive no Canadá tarde ou nunca se endireita;
— Tão ladrão é o que nos vai ao bolso como o que fica em Paulo Portas;
— Vão-se os Relvas fiquem os ministros;
— Quem dá e volta a tirar, ao Governo vai parar;
— Quem o Governo ama, bonito lhe parece;
— Mais vale uma cabana onde há coragem, do que um palácio onde há cobardia;
— Quando a Merkel abre a boca ou entra mosca ou default;
— Cavaco, Cavacão, de manhã foge e à tarde não;
— O Senhor dos Passos já teve dias mais vivaços;
— É tarde para economias quando as bolsas estão vazias;

E pronto, reflitam, que é para isso que não vos pagam

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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11 respostas a Os grandes novos provérbios

  1. Fortunato machado diz:

    Agora já li e tenho de concordar que além de piroso é também talentoso. Os provérbios estão ao nível do autor…jacobinos com calças de fundos até aos joelhos! Actuais.

  2. Henrique Monteiro diz:

    Você deve ser muito inteligente. De facto foi o único a notar a clara influencia jacobina neste post… Logo neste em que eu tentei disfarçar e fingir de girondino….

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Muito melhor que rol de roupa para lavadeira. Gostei.

    • Henrique Monteiro diz:

      Tres corpetes um avental, sete fronhas e um lençol. Seis camisas, um enxoval que a freguesa deu ao rol

  4. Uma delícia. O meu favorito: Muito deva­gar se ouve o Vítor Gas­par.
    Henrique, lembras-te do último número da Kapa? Terminava com uma lista semelhante a esta, mas com as figuraças daquele tempo.

    • Henrique Monteiro diz:

      Não. A Kapa era do MEC, certo? Mas a sério que não me lembro bem da revista, tenho ideia que era em papel de jornal e assim para o grande.

      • Sim, era do MEC, com um grafismo genial do Luis Miguel Castro. Era uma revista-revista, de formato mais pequeno do que o da actual revista do Expresso. Durou para aí dois anos, com dois ou três ensaios devastadores do VPV, um sobre Marcello Caetano, mesmo muito bom. Com artigos de uma irreverência deliciosa. Entre outros mimos desse número final, havia dois provérbios sobre uma ministra socilaista e um ministro social-democrata que eram de ir às lágrimas. A descompostura era tanta qie não acho bem trazê-los aqui from nowhere.

  5. Fernando Santos diz:

    Caro Henrique
    Deixo-lhe dois dos meus.

    “Dá Deus Vozes a quem não tem mentes”

    By Fanan

    Dedicado a politicos.

    ” A cavar se vai ao longe”

    By Fanan

    Dedicado a Cavaco Silva que nos empurra para a agricultura, depois de ter acabado com ela.

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