Petição pela sobrevivência de Deus!

Tudo o que a humanidade fez de belo, desde os primórdios até hoje, foi em nome de uma transcendência qualquer. É por isso que Deus passa a vida, no Génesis, a querer que lhe construam um templo, em vez de andarem de tenda atrás e Arca da Aliança às costas. Foi por isso que egípcios, maias, incas e astecas fizeram pirâmides. E os budistas e hindus templos como Angkor Wat, no Cambodja, que já foi dos dois. E os impérios edifícios que pretendem simbolizar a sua perenidade, de Washington à Cidade Proibida ou à Praça Vermelha ou o nosso Terreiro do Paço. Se matarem a transcendência, matam-nos o desejo do belo. Não há deuses? O caraças!

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
Esta entrada foi publicada em Escrita automática. ligação permanente.

12 respostas a Petição pela sobrevivência de Deus!

  1. António Barreto* diz:

    O melhor dos templos porém, foi Ele que o construíu; a mulher. Ela própria, a via de saída do vale de lágrimas!

  2. Manuel Goncalves diz:

    Ora aí está! A mulher! Foi também das primeiras coisas que houve necessidade de criar E a seguir a transcendência. A busca de explicações para o que não se conhece. E isso explica de algum modo o que é o homem. e também a mulher. Só que segundo a perpectiva que herdámos a mulher foi criada para que o homem não se sentisse só. O céu e as estrelas. O Sol e Deus. A astronomia e as pirâmides.
    Mas há mais evidentemente. As divinizações. Antigo Egipto e Civilização Maia. E no final de contas quais são as nossas certezas? Contudo há culturas aparentemente mais conhecedoras. E depois existem como todos sabemos, factos reais para os quais não existirão explicações que pelo menos não sejam controversas. E a minha tristeza se existe advém do facto de Deus ou a falta dele servir para tudo. Na verdade já nem é um problema que me aflija. E de que serviria?! Penso que a nossa preocupação deverá ser viver a nossa vida em conformidade com os preceitos sociais e com a nossa própria consciência, não prescindindo porém de ter opinião enquanto estivermos na plenitude do nosso ser. Há coisas que sabemos e que são mais ou menos seguras, por exemplo: no mundo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Será que deste modo estou contribuindo para a existência de Deus!?

    • curioso (vivamos) diz:

      penso que não. ninguém contribui para isso. há é passagem de testemunho. quando não houver, volta tudo ao princípio e a estória repetir-se-á. nada de novo. mistério que não vale a pena atacar. viver apenas, dando (algum) sentido a isso. gostar de viver…

  3. Henrique Monteiro diz:

    Deus criou o Homem e a Mulher ao mesmo tempo, de acordo com a versão mais recente da Bíblia. Só mais tarde é que o mito da costela se escreveu, como prova posterior da superioridade masculina. Falo a sério…

  4. Subscrevo, Henrique. Ainda bem que há gente de Letras como você, que escrevem coisas que me elevam momentaneamente o espírito destas tecnologias do dia a dia em que me enfronho…
    Mas sobre o que queria opinar era sobre a teoria da costela.

    De um ponto de vista da vida da espécie, quem é secundário e subordinado é o homem, e não a mulher. Refiro-me ao aspecto naturalista, ou positivista, se quiser.
    De facto, é a mulher, como em geral as fêmeas, quem garante não só o presente, como o futuro da espécie. Bastaria talvez a existência de um homem, para cada 100 mulheres, para que a espécie prosperasse. E não é por acaso que o sistema imunitário das mulheres é superior ao dos homens…

    Se há muito mais homens do que o necessário, é porque eles cumprem um papel especial: o do apuramento dos melhores genes, através da selecção. Em todos os mamíferos e na maioria das outras espécies, o papel dos machos é lutarem entre si de modo a apurar o mais forte, e que só esse se reproduza. É assim que se processa a “selecção natural” e é esse o único papel natural dos homens, aliás confirmado pelos estudos genéticos que mostram que na maior parte do neolítico poucos homens se reproduziam (os chefes?), razão por que a variedade genética de origem feminina que transportamos é muito maior que a de origem masculina.
    Que tem isto a ver com Deus?
    Onde Deus aparece neste processo é na promoção da monogamia que, talvez esteja historicamente associada à propriedade privada, mas que está sobretudo associada é a outra coisa: à democratização do acesso às mulheres. Contrariamente à crença de Engels, antes da monogamia não havia nenhum “comunismo primitivo” que abarcasse a sexualidade. Antes da monogamia o chefe tinha tudo, como na maioria dos mamíferos e em particular dos primatas, e foi um progresso democrático sancionado pelas religiões o direito de cada homem ter a sua mulher, que é o que é a monogamia.
    A igualdade para as mulheres, essa, só aconteceria no sec. XX, como se sabe, mas como a Natureza está bem feita elas também preferem os machos dominantes…
    Abraço 🙂

  5. nanovp diz:

    Concordo! Dar cabo da trans­cen­dên­cia deve se um dos propósitos mais desinteressantes da humanidade! Como diriam os Ingleses “don’t even bother with it!”

Os comentários estão fechados.