santinhos e altares

 

… nem perfídia, nem perversidade.
apenas um gosto formado na profusão de imagens do catolicismo — santinhos, altares, mantos, halos, crucifixos, presépios, virgens, madonas, lava-pés, os negros cabelos de maria madalena.
confesso que me faz impressão a arquitectónica nudez calvinista…

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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11 respostas a santinhos e altares

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    E vendo essa nudez percebe-se bem que aquilo é outra linguagem do pensamento, uma higiénica austera que mete um bocadinho de medo. Venham os santos, os retábulos, os registos, e nunca faltem os ex-votos.

  2. Ivone Costa diz:

    Pois, Manuel, é uma sacralidade despojada de signos reconhecíveis. Daí fazer impressão.

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Sem paramentos, alfaias, cálices, galhetas, patenas, sacrários e afins vai nu o conceito rei da tradição. “Está na massa do sangue” dizem nas Beiras.

  4. Panurgo diz:

    Está feito um Donne, palavra de honra. Quase que ia lendo, Show me deare Christ, thy spouse, etc.

    Embora, como você tão bem sabe, algumas calvinistas nuas são dignas de fotografia. Oh se são, meu Deus.

  5. António Barreto* diz:

    Não será essa a origem das substanciais diferenças de atitude que fazem de um povo, próspero e de outro, pedinte?
    Nos últimos tempos – graças a certosalegados indignos eventos -, dou comigo a rejeitar com quase nojo, a parafernália patética dos magestáticos paramentos da hierarquia católica. Lembro-me de Jesus, rodeado de gente, túnica de burel, sandálias e resplandecência nos rostos. Sei que é isto que importa!

    • Não sei tirar essas conclusões, caro AB. Mas à escassez do burel, prefiro o esplendor barroco das Bem Aventuranças e o milagre da multiplicação dos pães e peixes, o Cristo que gostava que lhe passassem óleos nos pés. tenho um bocadinho de medo das religiões sem luxos.

  6. nanovp diz:

    Foi uma das grandes discussões que atravessaram a arquitectura, cada lado com os seus extremos. Acho que Calvino não se dá bem com o sangue quente latino…

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