Um mau sonho

Começava assim: o Coelho que passeia e o outro já perceberam que nada disto funciona; e como também já sabem que não há por onde fugir, decidiram pedir aos amigos da troika que lhes fizessem um relatório/proposta tão agressivo que, por o ser, nunca iria ser aceite por rigorosamente ninguém, ressuscitando manifestações e greves, gritos, pareceres azedos do Tribunal Constitucional, and so on.
Acabava assim: todos à espera, a olhar uns para os outros, consultando por vezes os relógios e fazendo ou recebendo telefonemas em barulhenta surdina.
Por fim, Relvas perde o controle e grita numa quase histeria descontrolada:
– Mas que porra é esta?! O gajo nunca mais nos demite?!!!…

The end

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo.
E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado.
Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.

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11 respostas a Um mau sonho

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    Segundo Freitas do Amaral na entrevista de ontem, o «gajo» responsável pela demissão é outro.

  2. Nem sequer a demitir somos eficientes.

  3. The end, António? Achas mesmo que sim? Estamos aqui sentados há 8 séculos, António, e bem sabes o que vimos, bem sabes mesmo o que ainda vamos ver…

  4. nanovp diz:

    Tragédia num só acto António! Será que a sala está cheia?

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