Árias – de volta ao coração, o tema de Dalila e Sansão (6)

A minha camarada Francisca Cunha Rêgo, que tive oportunidade de conhecer quando segui os ouvidos na direção de alguém que cantava, magnificamente, na redação do Jornal de Letras, uma vez que ela própria, além de jornalista, canta, pediu-me um empenho.

Como a lembrança foi magnífica, depois de consultar a Tia, decidi abrir a série Árias à modalidade discos pedidos. A frase tem de ser uma de duas: ou “Uma ária por dia para alegrar a tia”; ou “Uma ária que estime, para ilustração do hum… sublime” (eu sei que não é muito compreensível, mas é a vida).

A Francisca pediu Mon coeur s’ouvre à ta voix. E fez bem, porque é uma ária magnífica; porque é em francês (ainda íamos no italiano e alemão); e porque eu também gosto.

Camille Saint-Saëns escreveu mais óperas do que aquelas que eu conheço – 13. E aviso já que nunca vi nenhuma ópera dele, nem esta, Sansão e Dalila, que é a mais conhecida. Em contrapartida, esta ária acompanha-me no iPhone, no iPad e no iTunes em duas versões: uma cantada por Maria Callas, outra, mais fraca, por Rita Noel.

O enquadramento é o seguinte: estamos em Gaza (é sempre um problema) e Sansão é um Hebreu. Dalila, é uma sacerdotiza do deus Dagon, que como devem saber não é nome que tenha um deus, o que indica que é falso. Há uma discussão religiosa. Dalila, que é insinuante, cativa Sansão e acaba o I Ato. No II Ato, Dalila canta a canção do bandido (esta que podem ouvir) a Sansão e deixa-o pelo beicinho. No III e último Ato, corta-lhe o cabelo. Acho que chega como resumo, vamos à maravilhosa voz da Callas (um pouco apito de mais para mim, mas maravilhosa) e à ária, que é para isso que não me pagam.

 

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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3 respostas a Árias – de volta ao coração, o tema de Dalila e Sansão (6)

  1. Esta foi em cheio porra! (salvo seja!) Coisa mais linda não há!

  2. Não sei se lhe poderei perdoar a do apito à minha rica Callas! E logo aqui. Pior só se dissesse que apitava quando a toque do meu Antonino Votto e na Casta Diva. Não me dê desgostos.

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