Au suivant!

E lembrem-se sempre que mais vale uma na mão que duas no soutien!” gritava em plenos pulmões, o meu poético comandante de pelotão. Foi à vinte anos atrás precisamente hoje, debaixo de uma chuvinha cortante e fria, nas seis e trinta da manhã de uma lezíria do Tejo ali à beirinha do Polígono de Tancos. Na minha farda de cadete encharcada, com as mãos geladas pelo aço da minha G3 e sob o efeito de um vapor de água que teimava em se introduzir insidioso por entre a carne e o osso, pensava, nos fulgor dos meus vinte e quatro anos, no calor sedoso e no conforto adamascado que aquelas palavras me sugeriam. Um sábio comandante de homens o meu Alferes Castanheira. Ou era Carvalhosa? Albuquerque, talvez?

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.

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6 respostas a Au suivant!

  1. curioso (uma em cada) diz:

    e para quem tinha duas mãos, há 24 anos naquela altura fria e húmida, não valeria mais ter uma em cada mão em vez de ter uma nas duas? 😉

  2. Maria diz:

    eheheheheh esta vou gamar 🙂 🙂 🙂

  3. nanovp diz:

    E houve a moda do “sem soutien”, facilitava o trabalho das mãos….

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    O meu alferes é que sabia!

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Escreve a mulher: duas no sutiã depressa chegam a duas nas mãos.

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