Mudar o mundo é fácil II

Todas as gerações pensam que o Mundo esteve à espera que nascessem para mudar de rumo. Cada geração quer corrigir males com milhares de anos, como se todos os que a precederam fossem destituídos ou inúteis. E, no entanto, todas as gerações contribuíram para mudanças, afastando o homem do animal, tornando-o menos ignorante. A esta caminhada de afastamento entre homens e animais, acontecem percalços. Um deles é o da quantidade de gente que quer transformar os animais em homens.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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16 respostas a Mudar o mundo é fácil II

  1. Rita V. diz:

    Enquanto há vida há esperança
    😀

  2. Isaac Magalhãe diz:

    Concordo consigo. Hoje pretende-se (alguns) que os animais tenham direitos ” como humanos”, para designar as responsabilidades dos homens. Fico sempre muito preocupado com a humanidade de alguns para com os animais, pois desconfio que um dia equiparem o animal ao ser humano e mesmo acabem por inverter e subverter as prioridades. Só o afastamento da vida real do mundo rural produz estas mentes capazes de ver direitos onde só há sujeitos de responsabilidade humana.

  3. Pois é, Henrique, qualquer dia nem as vacas têm rabo porque parece mal…

  4. Outro grande percalço é quando se esquece que o homem também é um animal: quando se finge que a besta não existe, acorda-se o monstro.

  5. Estou de acordo consigo. O que se passa, é que se está caindo num extremo de politicamente correto que roça o ridículo. A defesa dos “direitos” dos animais está na moda. Depois vão para férias e abandonam os cãezinhos e os gatinhos, etc. Defendem os “direitos” dos animais e são incapazes de respeitar os direitos do semelhante! Raios partam tanta hipocrisia!

  6. Serafim Froufe diz:

    Não será que muitas pessoas se voltam e gostam cada vez mais dos animais considerados inferiores porque deixaram de acreditar nas pessoas e receber delas a compreensão, o amparo e o afeto de que necessitam para enfrentar as dificuldades da existencia? os animais são fieis no seu relacionamento com os humanos, sinceros e desinteressados para alem do que se refere à sua sobrevivencia, enquanto muitas pessoas apenas se preocupam com a acumulação de bens para alem do que necessitam desvalorizando os afetos, os direitos e necessidades dos demais!…

    • curioso (upside down) diz:

      falsa argumentação: deixêmo-nos tratar como animais de estimação (a mulher pelo homem, o homem pela mulher, os pais pelos filhos, os filhos pelos pais) e vai ficar tudo um paraíso.

      é falso que os animais sejam contrapartida para a falta de compreensão, de amparo e de afecto e que sejam fiéis, sinceros e desinteressados (cágados, iguanas, tarântulas, araras, coelhos, gatos, cães).

      há os – agora famosos – ‘sem abrigos’ para nos servirem de alternativas humanas…

    • António Barreto* diz:

      Há uma faceta cobarde associada ao alegado afeto de algumas pessoas pelos animais. É que o animal não questiona, não exige nada em troca a não ser comida e água. Não tem dúvidas. Deixa que gostem dele. É um objeto eminentemente passivo. Tudo o que faz é retribuir incondicionalmente algo entre gradidão e afeto (?). Nem sempre, nem todos.

      Amar as pessoas pode ser muito complicado e doloroso. Exige coragem. Muitas vezes é preciso coragem para amar, sobretudo, amar até ao fim. Nem todos somos capazes. Nem sempre somos capazes. Quando a dor é muita é mais fácil deixar de amar. Uma questão de sobrevivência, de autodefesa. Uma coisa, afinal, de bestas! Eis o retorno do Homem à sua condição primária; o instinto de sobrevivência.

      Mas é verdade que a mágoa sobrevive à morte de um animal de que se gosta.

  7. A caminhada não tem sido no sentido de afastar os humanos dos outros animais, mas sim de alargar a esfera de consideração moral. O mundo já foi do homem europeu, branco e abastado. Fora desse círculo já estiveram as mulheres, os negros, os árabes, os índios, os pobres, as crianças, os deficientes, os condenados…
    A fronteira entre nós e os outros é política e, como tal, discutível e arbitrária. Neste momento, separa-nos dos restantes elementos da ordem a que pertencemos: a dos primatas. Embora seja óbvio que um chimpanzé está muito mais próximo de nós do que duma ostra, a fronteira que traçámos coloca-o do lado da ostra.
    É por demais evidente que isso vai mudar, mas haverá sempre quem não saiba ler o zeitgeist.

  8. Henrique Monteiro diz:

    Cristina, a fronteira esteve está no ser autónomo dotado de razão. A diferença entre um primata e um ostra, entre uma tarântula e um golfinho, reside no dever moral que temos para cada um e não num direito inato de cada um deles. Inverter isto, é não ver que há uma diferença entre si e qualquer um deles pelo facto de ter deveres explícitos a que correspondem direitos inalienáveis.

  9. António Barreto* diz:

    Boa malha!
    Receio bem que boa parte dessa caminhada seja um retorno à ignorância mais sombria e sórdida!
    As gerações atuais tendem a crer que são as mais sábias apenas porque detêm o poder atual.
    E é mentira!

  10. Caro Henrique, se me permite publico no meu estendal. Isto é interessantíssimo.

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