O que explica um triângulo amoroso


No Search lailailai Terms do nosso blog, nas entranhas da coisa, portanto, encontro isto: “na hipnose o que explica um triangulo amoroso”. Três vezes. Sim, três.

Ora bem. Na hipnose, não sei. Mas sei que não sou pessoa para deixar um cristão angustiado, sem resposta, neste éter, ou melhor, neste internéter. E cá em casa a coisa, por coincidência, ou mesmo por sincronicidade, passou-se assim.

Ontem, sexta-feira, o meu sobrinho mais velho trouxe do colégio o postal de São Valentim. Handmade. Para a Mãe que, ó meu Deus, adorou. Depois de estar estrafegado em beijos maternais voltou à mochila e, zás!, tirou outro igualzinho para mim, acrescentando que foi o único que fez dois, dois postais de São Valentim e que levou muito tempo, muito, Tatia, naquele trabalho amoroso – a criança tem quatro anos e a vida não é só trabalho. Há que valorizar.

A minha irmã para mim, decerto de coração partido, ou pelo menos atravessado de facas:
– Vê bem, tão querido, iguaizinhos.
Eu, armada em analítica, e vá, magnânima, para a minha irmã:
– Bem, iguaizinhos não são, o coração do meu postal tem duas cores, e o azul escuro, tu, ocupa dois terços, mesmo o i love u está todo do teu lado. Já sabes, Jung e tal: para uns a estrela, para outros a estrela é uma constelação. Este é desses. Tu és a legítima, eu sou a outra. Estamos conversadas.
A legítima para a outra:
– A culpa é tua, dás-lhe volta à cabeça com tanta loucura.
A outra para a legítima:
– A culpa é dele, seduziu-me, fui fraca.

Ps: se tiver dúvidas, escreva-nos, aqui explicamos tudo.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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10 respostas a O que explica um triângulo amoroso

  1. Coisa mais bonita: não tinha grande fé em São Valentim. Pondero conversão.

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Quem diria que a importação dos festejos de São Valentim tinha lindezas destas!

  3. fernando canhão diz:

    Vai para um horror de anos, quando ainda não se festejava em Portugal o S. Valentim, questionei a um amigo alemão, acerca do seu eterno sorriso a partir do momento em que punha o pé em Portugal. Explicou-me que sendo os portugueses gente muito simples, mas dada a vaidades, como ele era estrangeiro tratavam-no com extrema deferência, correndo a buscar-lhe bolos, capilés e outras coisas boas, tal como folhados de carne. Ele limitava-se a sorrir e a agradecer. As pessoas ficavam muito contentes, com a sua amabilidade para com elas, pois apenas lhe estavam a dar o que tinham, e ele gostava e agradecia, e assim elas sentiam que sendo os estrangeiros, tal como ele, pessoas de nível superior, tanto económica como culturalmente nem por isso desdenhavam o povo português, e inclusive os seus governantes, pessoas igualmente simples e sempre desejosas de agradar. O único problema era pedirem-lhe amiúde, para com eles posarem nas fotografias de recordação, agarrando-o pelos ombros, e até pelo braço, com as suas mão nem sempre limpas. Como alemão pragmático passou a usar uma gabardina de oleado amarelo, de pano azul por dentro, muito em conta, ora o oleado é lavável como se sabe. Sendo eu um seu amigo, ofereceu-me também uma, pelo que a partir dessa altura, nos passeios junto ao mar, por exemplo, quando éramos abordados e fotografados, como estrangeiros, o que no meu caso era falso, pelas pessoas simples, passámos a ficar muito melhor nas fotografias. Todos com um enorme sorriso.

  4. nanovp diz:

    Deixei passar o dia e não fiz nenhum cartão!

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