A disfluência

 

As pessoas que pronunciam nomes depressa e bem têm sucesso na vida. Não basta ser fluente. A disfluência, essa capacidade para resolver informação mais exigente, é um factor de sucesso no mundo contemporâneo. Eu, por exemplo, pronuncio bem e depressa Schopenhauer, embora me atrapalhe um bocadinho nas consoantes fricativas de Nietzsche e acabe a gaguejar umlautes quando tenho de dizer Wolfgang Schäuble, só por acaso o ministro das finanças alemão. Acresce ter passado metade da vida a dizer, de Merkel, que era uma portuguesíssima Ângela, quando ela é uma prussiana “An-gue-la”. Ou seja, com os meus níveis de disfluência há um vencido fado de miséria à minha espera.
Continuem a  descurar o impacto sócio-psíquico da disfluência e depois queixem-se de que têm jindungo no mataco.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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10 respostas a A disfluência

  1. jindungo no mataco ou no machibombo?

  2. Henrique Monteiro diz:

    Sim, eu também te amo

  3. olinda diz:

    ai que risota pela miséria do enrolamento da língua.:-)

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Olinda, olhe que isto é ciência: Vi ontem uma conferência de duas horas sobre a coisa.

  4. Mas porque que é que você é assim, Manuel Fonseca?… Nem toda a gente fala estrangeiro e ando com o meu Luandino Vieira muito esquecidinho.

    O facto de nunca ter conseguido dizer supercalifragilisticexpialidocious sem ser a cantar é a explicação de todas as minhas lailailai.

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Quando tinha para aí dez anos, o sarilho que foi pronunciar aeródromo – «aerodrómo» era o que saía. E Bartolomeu? Não passava do «Bartomoleu». Se isto na infância a nível básico, imagine agora na complexidade aumentada.

  6. nanovp diz:

    Também devo estar condenado Manuel, podemos pelo menos ir beber um copo e afogar tristezas ?

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