Árias – uma russa, apesar de haver quem tussa (19)

Quem nunca viu Eugene Onegin, a imortal ópera de Tchaikowsky, não merece viver. É o meu caso! Nunca a vi!

Mas posso dizer-vos que aquilo que vão ouvir é divinal. E isso já ouvi muitas vezes. Eugene Onegin é baseada num romance em verso de Alexander Pushkin e este dueto, imediatamente seguido de um quarteto, é logo a abrir. Como podem observar pela letra, pois presumo saberem tanto russo como eu, a ideia é simples e eficaz. A área em causa chama-se Slikhali I vi za roschei glas nochnoi que, como todos sabem, quer dizer qualquer coisa como ouvi a voz no bosque (se é dele, se é dela, não sei… vá lá, façam um esforço e depois digam-me)

A chatice é que não há versões boas no YouTube. A melhor que consegui é esta. As instruções para ouvir isto são as seguintes: aguentar firme cerca de dois minutos de introdução. Ouvir cerca de cinco minutos deste dueto; havendo paciência, ouvir até ao fim o I Ato. Ouvirão pessoas a tossir e tudo isso, mas não é nada que não aconteça nas grandes catedrais do canto lírico.

Pronto, está bem, desculpem. Podem ir ao iTunes ou ao Spotify e ouvir a versão límpida de Sir George Solti com a Orquestra da Royal Opera House. É muito melhor… E não há cá tosses, ouviram? Bem!

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

7 respostas a Árias – uma russa, apesar de haver quem tussa (19)

  1. Esta é uma das minhas fraquezas, o tio Onegin! No outro blog que tínhamos quando gostávamos muito, matámos e enterrávamos: eram os Queridos Mortos. Lá se foi o rico Pushkin à viola. Ó dele… Só não plasmo aqui uma das melhores coisinhas feitas a partir disto e nas pontinhas de Isabelle Ciaravola porque este é um blog de, vá, incompreensivos do ballet.

  2. Isto requer audição mais cuidada e atenta.

  3. ana diz:

    Gostei de conhecer….

  4. antonio faro diz:

    gostei de ouvêr !!

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Bendito seja quem eliminar tosses neste ouvir.

  6. nanovp diz:

    Pois eu gosto da introdução, e de tudo o que vem a seguir….e fiquei a saber que não mereço viver Henrique…

Os comentários estão fechados.