Da Ponte Luiz I ao envelhecimento e ao «agá dois ó»

 

Porto - Ponte Luiz I

Porto – Ponte Luiz I

O comércio progredia, as fábricas pululavam por todo o bairro oriental da cidade, dito ‘brasileiro’. O tráfego para Gaia e Lisboa crescia a olhos vistos, e a bela ponte Pênsil não chegava para as encomendas. Em 11 de Agosto de 1880, foi aberto concurso para nova ponte, após a não-aceitação de um projeto da firma G. Eiffel et Cie., que só contemplava um tabuleiro ao nível da Ribeira, com setor levadiço na parte central. Um projeto que mereceu um Grande Prémio na Exposição Universal de Paris de 1878, mas não servia para uma eficaz ligação entre os núcleos urbanos do Porto e Gaia. Por isso, aquele concurso impôs como premissa a conceção de uma ponte com dois tabuleiros” Viria a ser construída nova ponte metálica.

Estrutura metálica

Estrutura metálica

As ligas metálicas, soluções sólido-sólido incluem os aços sem os quais seria impossível o desenvolvimento das sociedades. Resultam da inclusão na estrutura do ferro de átomos de carbono. As propriedades mecânicas são sensíveis ao teor de carbono que é normalmente inferior a 1%. Adicionando cementita (composto químico com moléculas feitas de três átomos de ferro ligados a um carbono átomo, Fe3C), a dureza do aço extrema-se.

Cementita e aço

Cementita e aço

Doutras ligas metálicas também é comum ouvir falar. Prata de lei refere-se às duas ligas mais utilizadas cuja diferença reside no teor de prata e doutro metal. A “casquinha” somente contém em mil partes novecentas de prata. O mesmo com ouro de lei: ouro de 19,25 quilates. Ouro puro corresponde a 24 K – vinte e quatro partes de ouro e zero doutro metal.

Hall Groat – Emerald Ring

Hall Groat – Emerald Ring

Os metais são responsáveis por muitas das reações de oxidação – processo no qual uma espécie química perde eletrões. Por desde Lavoisier ser conhecido que “na natureza nada se ganha, nada se perde, tudo se transforma” os eletrões «perdidos» são ganhos por outra espécie que se reduz – reação de oxidação-redução. A ferrugem é exemplo: em ambientes húmidos, o ferro é corroído.

Jim Warren

Jim Warren

A oxidação é um dos grandes vilões no processo de envelhecimento. “Enferrujamos” desde a nascença até ao final da existência. Durante o metabolismo normal do organismo, formam-se oxidantes fortes como o peróxido de hidrogénio, H2O2, vulgo ‘água oxigenada’. Dana compostos do organismo capazes de neutralizarem a ação dos antioxidantes. Doenças cardíacas, cataratas e disfunções cerebrais são devidas à diminuição do efeito protetor dos antioxidantes com a idade.

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A propósito do H2O2 com menos um O lembrei esta: “Havia naquela fábrica de tintas desconfiança entre a parte burocrática-administrativa e a parte técnica mais jovem e inovadora. Um dos funcionários mais velhos «torcia» pela administração. Um dia, no transporte, foi entornada quantidade apreciável de líquido destinado à fábrica. O funcionário «bufo» do ocorrido quis saber:

_ Quem entornou? Que produto era?

Respondeu o operário malandro:

_ Fui eu. Era o agá dois ó.

O diligente funcionário correu, apavorado, a levar o recado à administração.”

Até aos biltres a ciência faz falta.

 

 

 

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.
No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.
Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.

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6 respostas a Da Ponte Luiz I ao envelhecimento e ao «agá dois ó»

  1. Maria, veja lá se arranja um anti-oxidante secreto só para os Tristes deste Escrever. Gostei muito e acho que até a minha ignorância percebeu tudo. Acho que mereço mais do que copito de H2O.

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Merece muito mais, conquanto ‘copitos’ de H2O só façam bem. Anti-oxidantes – escolho um prescrito pela medicina convencional e à venda em lojas de produtos naturais. Chá verde oriental em saquetas ou gotas diluídas em água. Neste caso, nunca mais de trinta gotas por dia pela dose de teína. Marca: “Chá verde super concentrado – suplemento alimentar”. Desde que, há anos, me foi receitado pela minha filha, faz parte do meu pequeno-almoço.

  2. Céu, e muita vitamina C pela goela abaixo?

  3. nanovp diz:

    Um remédio para a ferrugem não haverá ? nos homens digo eu, porque nos materiais até fica bem….

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Só enferruja, além do fatal, quem quer. Não acredito ser o seu caso. Lindo e pujante, creio, estar para ‘lavar e durar’.

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