Dia da Cavalgada das Valquírias

Hoje é Dia da Mulher. Nesta altura já preferia que se chamasse Dia da Cavalgada das Valquírias, porque da mulher é que ele não é, mas enfim… E escusam de vir apontar-me o dedinho que sou mais feminista no mindinho do que as donas instituiconais do feminismo de uma ponta à outra.

– Assume attack formation
– That´s a roger, Big Duke. We´re going in.
– Hey, Lance, we´ll come in low, out of the rising sun.

Assim mesmo, aproveito para celebrar o que as queridas feministas que não levantam o pensamento da cadeira há quarenta anos, andam sistematica e metodicamente a rebaixar e destruir em vez de reconhecer, validar a importância e assim contribuir para elevação de dois papéis fundamentais:

A MULHER QUE NÃO É DIFERENCIADA NEM PROFISSIONAL E ASSIM MESMO É A ESTRUTURA DA FAMÍLIA: A DOMÉSTICA. VIVA!

A MATERNIDADE É A MAIS IMPORTANTE, MAIS ABNEGADA E DECISIVA ACÇÃO DE UMA MULHER:  A MÃE. VIVA!

Ps: não, não estou ali a defender o meu lugar no mundo, não sou doméstica nem mãe.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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26 respostas a Dia da Cavalgada das Valquírias

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Oh Eugénia, acabou de levantar uma onda maior do que a da Nazaré. Não sei se se arranja surfista para tanto. Viva!

  2. Eugénia Eugénia, finalmente algo que nos separa 🙂

  3. olinda diz:

    completamente de acordo com a dignidade do que é ser mulher – que nada tem que ver com o mundo do trabalho. mas há uma coisa: celebrar um dia para valorizar a mulher é a maior forma de discriminação que pode haver. porque ser mulher não precisa de hora nem de dia marcado a ser lembrado – ser mulher está, isso mesmo, simplesmente no que é ser. e quem não o souber, ou não quiser perceber, que morra para tornar, duvido que consiga, a nascer.

    • Eugénia… e eu ontem a “gabar” a vossa caixa de comentários. 😉

      • olinda diz:

        falaste também comigo, ana vidigal, ou só falaste para o lado? 🙂

          • olinda diz:

            o comentário anterior recebi-o como resposta ao meu comentário e fiquei confusa, não percebi, se estarias a responder-me ou à autora.

            • Olinda,

              Por vezes, o tom tem de ser provocatório para chamar a atenção para uma realidade que ilude.

              O que afirmo está tão longe de afastar a mulher do mundo do trabalho quanto eu estou da lua.

              É sempre preferível que uma mulher seja diferenciada, mesmo a que está em casa e à qual chamamos doméstica. Porque tem escolha. O que não posso aceitar é que essa escolha, ou, essa necessidade, sejam subalternizadas, e essas mulheres e o valor trazem à vida conjugal e dos filhos desconsideradas.

              O que cabe ao feminismo não é subalternizar tal papel. É reconhecê-lo e criar condições para seja uma escolha vista com a dignidade de qualquer outra e nunca impeditiva de, antes ou depois, se fazer qualquer outra.

              A maternidade é uma decisão fundamental: é o garante da existência. E é, ao mesmo tempo, uma exigência profunda à qual a mulher que é mãe, responde. Há uma incontornável dádiva de si mesma e a todos os níveis, do corpo à vida profissional. Também isto tem de ser reconhecido e tratado seriamente numa Europa cujo rosto a cada dia envelhece.

              Obviamente que a resposta que lhe dou só ao de leve toca o muito que tem de ser dito, reflectido e feito.

              • olinda diz:

                inteiramente de acordo, Eugénia. o único ponto que talvez não terá sido bem interpretado é que estou certa que não é o trabalho que dignifica as pessoas mas antes o contrário. mas depois com mais tempo desbrava-se. 🙂

      • Temos tido problemas, Ana. Espero que isto não a afaste….

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Sabe que mais? Sem ânimo nem paciência para esta coisa do “Dia da Mulher”, ao ler o texto arrebitei para o tema.

  5. Mário diz:

    Colonel Kilgore: [Explaining why the helicopters play music during air assaults] We use Wagner. It scares the shit out of the slopes. My boys love it!

    Uma mulher a fazer citações do Kilgore? Gotta love her!

    • Que hei-de fazer? É um dos filmes da minha vida, por um dos realizadores da minha vida e a partir de um dos romances da minha vida, Heart of Darkness, por um dos grandes escritores de sempre. Merci

      • Mário diz:

        Vi o Apocalypse Now no Verão, num cinema improvisado ao ar livre, na Praia Verde, com os meus pais. Devia ter uns 9 ou 10 anos e, claro está, não percebi nada do filme. Mas adorei. Até hoje. Há coisas assim. Tinha a cassete em VHS e, mais tarde – bastante mais tarde, ofereceram-me a versão Redux em DVD. Fiquei todo contente. Já agora, o documentário sobre o making of é quase tão alucinante como o próprio filme, é daquelas casos em que é tão importante o processo como o produto final.
        PS: Não que valha de muito, mas quanto ao tema do post, acho que tem toda a razão (é só para ficar registado em acta…)…deu erro, tem que ser ata!?que estupidez..

  6. nanovp diz:

    Pois não fará sentido um “dia da mulher” ( infelizmente já os há para tudo….), mas com as Valquirias tornou-se pelo menos num grande dia Eugenia.

  7. Assumo ser da energia escura… provavelmente mais ainda da matéria escura, mas que gosto de vos “ouvir”, oh se gosto!
    Sois neutrinos discutindo a fuga desde o atomo, a partilha da fragmentação, óbvio que esta coisa do homem e da mulher debate-se e discute-se fora do sítio certo… aí é que elas mordem.

  8. Luísa Tavares de Mello diz:

    Quando era preciso, fui pouco mãe. Enquanto era possível não me quis doméstica. Tive mais para fazer! Agora que sou muito mãe e pouco doméstica por defeito e por feitio, não sei que fazer com o dia…Ser feminista agora? Cheira a velho. Já se perderam todas as batalhas. Onde as batalhas se ganham é na amarra, na luta! Como eu ganhei. Mas não se ganha para sempre.

    • Cara Luísa,

      gostei de a ouvir. Da síntese. Mas acredito que, por muito que uma ideia leve tempo a ser acção, e leva, este é o tempo de as ter, pensar, refazer, para um futuro que não será próximo: os erros dão-nos a oportunidade de tentar e tentar e tentar o acerto.

      Pouco me é tão querido quanto isto de olhar e ver as possibilidades de ser – ler acima de tudo, escrever, claro, mas isto também… A política não é aquilo que nos fazem crer que é: é essencialmente pensar uma organização social onde indivíduo floresça e a comunidade. As batalhas, não estão perdidas, estão por ganhar.

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