Dia mundial da poesia

Palavras pra quê?

Palavras pra quê?

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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14 respostas a Dia mundial da poesia

  1. olinda diz:

    a poesia está em tudo e sempre que se quer, nem sequer tem que ver com palavras. as palavras são meros esquissos de poesia.

  2. Vagamente diz:

    lindo

  3. Bruto da Silva diz:

    Palavras… só para dizer onde: parece que já lá estive.

    «Falta-me uma palavra essencial, / um som perverso para morrer: um sonho».

    «Não abras a porta, / se for o sublime diz que não estou, / já temos palavras de mais, sentimentos demais.»

    de Manuel António Pina

    http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2564630

  4. ERA UMA VEZ diz:

    Lembram-me as tuas mãos pai
    não tanto o teu rosto
    que depois dos noventa sorria agradecido
    com laivos de menino contente

    havia sulcos nas tuas mãos pai
    crescido cedo demais
    quando os outros ainda trepavam às àrvores
    promoveu-te a tua mãe a chefe de família
    e a seu lado criaste outros quatro tão frágeis e pequenos

    se não fosse aquela hérnia estrangulada
    terias podido ser rapazola como tantos
    não terias dado o teu irmão pequenote ao seminário
    prémio ou castigo
    de ser tão bom na escola
    e saber de cor os versos que fazia
    e declamava
    na cadeira de pau encarunchada

    e depois a” mana menina”
    e o seu sorriso de princesa
    encanto dos teus olhos
    ( cuidados redobrados)
    entre a apanha demorada de azeitona
    e o estio das amêndoas e das figueiras que tardava

    e a tua mãe heroina exigindo exigindo…
    sem tempo para afagos e ternuras

    o trabalho colou-se à tua pele pai
    às tuas mãos…
    para ti a mais óbvia razão de vida
    mais que um dever, a devoção
    e em intervalo de papéis e dossiers
    alindavas o teu jardim e o meu descansando o olhar
    e fotografavas(se fotografavas…)
    o colorido das flores e as trepadeiras
    que feliz mostravas…e insistias

    há dois dias que as palavras andam por aqui
    entaladas na saudade
    foi esta imagem que fez brotar em mim
    finalmente
    desajeitadamente
    esta torrente
    este “roçar” de eternidade

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Paalvras para nada. A poesia está inteira na imagem.

  6. Não é preciso! Estou como a Maria do Céu, a imagem vale por mil palavras 🙂

  7. velho livreiro diz:

    Belíssima imagem. Belíssimo poema de ERA UMA VEZ.
    Sempre.
    Onde quer que a encontre, as suas palavras também “se colam à pele”

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