Dos símbolos

 

Podia falar de um fuso ou de um fio,
tanto faz,
no labirinto ou na mão das Parcas
nenhuma saída tem asas
para além do rio.
Tento decifrar o voo do silêncio
mas esqueci-me dos símbolos
que acendiam nos dias
uma claridade de barcos a haver.
Chegam-me algumas vozes,
é certo,
por elas sei que vida se solta das raízes
e desdobra ao longo da avenida
um cortejo antigo
uma dança com ânforas,
faunos e fadas in maschera,
uma girândola desconcertada
que me arrasta e me prende
e me solta mais adiante
e é por aí que fico
descalça no empedrado geométrico do chão
onde as palavras desenham um barco,
um fuso ou um fio.
Tanto faz.

 

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.

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6 respostas a Dos símbolos

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    Asim prende esta prima Triste.

  2. nanovp diz:

    Tanto (que) faz !

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