Entre páginas 46-47 do jornal ‘Público’

A irregularidade com que lemos a Eugénia num espaço público carece de petição pública. Belíssimo artigo!

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Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

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16 respostas a Entre páginas 46-47 do jornal ‘Público’

  1. Mário diz:

    30 amantes 30 livros.
    A batalha pela privacidade está perdida. Só a tornaremos a ter quando tudo, mas mesmo tudo, for tornado público – logo, banalizado.
    Se aparecerem 30 amantes do DSK quem quer saber!? Parafraseando Estaline: uma amante a escrever um livro é uma tragédia, 30 amantes a escreverem livros é uma infelicidade estatística – e literária. Vejam o Clinton.
    PS: Belo artigo. A minha melhor homenagem foi lê-lo até ao fim.

    • Ler um artigo até meio é, portanto, uma homenagem pior… Assim como assim, prefiro a melhor.

      • Mário diz:

        Réplica sexista (mas que diz muito acerca da natureza das mulheres)
        Mulher: Querido, ajudas-me a escolher o vestido? o verde ou o azul?
        Homem: Deixa ver…leva o azul.
        M: Porque? Não gostas do verde?
        H: Não é isso, o verde também é giro, leva o verde.
        M: Não estás a ajudar. Em que ficamos? o verde ou o azul?
        H: Leva um qualquer, ficas bem com os dois.
        M: Se o assunto não te interessa podias dizer.
        H: …
        Moral da história: as mulheres nunca estão satisfeitas, mesmo quando as elogiamos…
        [baseado numa história verídica]

  2. Li no papel e gostei muito, Eugénia. É um texto para memória presente e futura.
    (Obrigada Rita pela facilidade concedida, eu no meu computador é que não consigo ler assim, o texto fica todo esticado)

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Eugénia, fechou aqui e bem as portas dos quartos, para abrir uma bela janela para dentro de nós. Mas o que é que faremos com a solidão de estarmos sozinhos, dentro de nós?
    (É um artigo gourmet este seu)

  4. Ivone Mendes da Silva diz:

    Peticionemos, Rita. Muito bom, Eugénia.

  5. Rita!

    Isto de uma pessoa ser bem tratada em casa é o melhor mimo: merci!

  6. Mário L. diz:

    A expressão: “vícios privados, públicas virtudes” ainda faz sentido?

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Li o texto em papel assim que foi publicado. Palavras para quê? Sempre ao nível da excelência a que nos habituou a Eugénia.

  8. Excelente, Eugénia, outra coisa não seria de esperar. Talvez, seguindo os ciclos largos da história, surja daqui a 50 anos um novo ciclo de irredutível privacidade. Mas como preservá-la no mundo pós-tecnológico? Não se pode desligar o power e ser analógico num mundo supra-digital.

  9. nanovp diz:

    Um dos ultimos estandartes que tomba, a esfera privada. Não sou no entanto pessimista, o mundo vai girando, e parte também de nós o de o vivermos atentos e participativos. Como disso é um positivo exemplo este seu texto.

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