Eu conheço o anónimo!

Caro, eu conheço o anónimo. É uma besta chapada, um alarve, um safado. É um tipo que julgaram inteligente, porque aos três meses já andava pelo seu pé, mas veio a saber-se que era apenas porque ninguém queria andar com ele ao colo.

O anónimo tem o cabelo oleoso, a unhaca do dedo mindinho crescida e caspa nas sobrancelhas. De figura é um nojo, com queixo proeminente donde parece escorrer em permanência um fio de azeite mau. E tem mau hálito, o que agrava o quadro, porque sendo baixote dirige, quando fala, o bafo na direcção das narinas do circunstante.

Intelectualmente é um calhau. Dizem que ficou em segundo lugar num concurso de estúpidos e que foi confundido com um peru quando tentou multiplicar nove por nove. Há quem sustente que devia estar internado, mas veio a saber-se que ele era assim por gosto e não por qualquer deficiência, salvo de caracter.

Não sei se lhes disse que é corrupto… Mas é! E mentiroso. E vigarista. O anónimo só tem uma utilidade que é esta: podemos descarregar nele o fígado, porque, cobardemente, embora saiba bem que é dele que falamos, nunca haverá de dizer quem é.

E tu escusas de ficar chateado. Não é de ti que estou a falar.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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17 respostas a Eu conheço o anónimo!

  1. Abaixo o anonimismo!

  2. olinda diz:

    ai que riso.:-)
    isso é tudo verdade mas: o que é – onde começa e termina – o anonimato?

    • Henrique Monteiro diz:

      O anonimato, quando usado em sociedades abertas é reprovável. Há gente que confunde anonimato com clandestinidade ou secretismo. Mas são conceitos diferentes. Há, ainda o pseudónimo e o heterónimo, são ainda categorias diferentes do anonimato, porque a a pessoa por trás do avatar ou do heterónimo ou pseudónimo é conhecida e pode ser, até judicialmente, responsabilizada. É o caso da minha personagem do Expresso Comendador Marques de Correia. Como vê, há matéria para tese.

  3. ana diz:

    Claro que quem se esconde sob o anonimato para críticar sistemáticamente,injuriar, afrontar, etc e tal, merece bem as palavras do Henrique. É, no mínimo, cobarde e safado e acabará por estragar o ambiente de sã tertúlia que deve existir neste blog. Outro(s) dão a cara mas, têm a mesma determinação em afrontar e injuriar – deviam sair deste blog. Os membros assiduos do blog têm que se identificar com certos ideais e princípios, sendo o do respeito mútuo e o da civilidade essenciais.

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Aplaudo de pé.

  5. Dizia o saudoso Carlos Pinto Coelho que “essa gente conhece-se pelo bafo”.
    Mas aqui vos deixo algumas curiosidades:
    Em tempos, vim a descobrir que um comentador raivoso era, afinal, uma pacata dona-de-casa, minha vizinha!
    De outra vez, vim a saber quem era uma cachopa que, invariavelmente, atacava um determinado colaborador do “Sorumbático” (tratava-se de uma familiar dele!).
    Um ex-colega meu da EFACEC costumava descarregar a bílis no meu blogue (com pseudónimo, evidentemente). Demorei algum tempo a identificá-lo, mas bastou “puxar um pouco por ele” para o identificar (neste caso, foi porque ele acabou por escrever usando expressões pouco usuais, de que eu me recordava bem quando trabalhávamos perto um do outro…
    Outro, ainda, era um amigalhaço que, com um pseudónimo caricato, se metia comigo, não escondendo que me conhecia bem. Esse foi fácil, pois o “sitemeter” indicava o nome da terreola onde ele estava ligado à internet, e ele era a única pessoa que eu lá conhecia.
    Em muitos casos, basta ter alguma atenção ao “sitemeter”. Sabendo a hora a que o comentário foi afixado, está lá quase tudo.

  6. olinda diz:

    costumo, Carlos, fazer um óptimo exercício de elasticidade contra o preconceito: só leio, quando leio, quem escreve no fim. neste momento, aqui neste espaço, está a acontecer aquilo que eu queria – discussão sobre o que é o anonimato e a identidade. chego à triste conclusão que existe uma grande, imensa, confusão entre o que é saber ser e estar e fazer, a identidade, a voz única de cada cidadão único também, e a falta dela que será, então, o anonimato. considerar que alguém que escreve com um nome que não o seu que aparece no cartão de cidadão como simples anónimo apenas por essa razão é considerar que as alcunhas que nos dão ou deram, e até os diminutivos, são igualmente máscaras que nos fazem anónimos. o anonimato é o terrorismo, o uso abusivo da liberdade com o intuito exclusivo de zelo contra a democracia ao dispor, puro terrorismo, e o terrorismo – já o sabemos – é executado por gente em crise de identidade e , por isso, anónima.

    • Maria Alberto diz:

      A conversa está interessante. Estou a lembrar-me daquelas pessoas que, como eu, não se importam de mostrar o nome mas preferem não mostrar a cara. Sendo que, não o fazem com o objectivo de insultar de forma gratuita mas apenas porque são mais tímidos ou preferem passar mais despercebidos.

  7. Brilhante. Partilhei no Facebook.

  8. nanovp diz:

    E fiquei contente por não me ter sentido atingido…belo e claro texto.

  9. Manuel S. Fonseca diz:

    Henrique, já te disse que me fartei de gostar deste retrato? Muito bom.

  10. Muito bem escrito.

  11. Alfredo diz:

    Descobri agora esta delícia de blogue do qual passarei a ser intruso… anonimismos à parte.
    Adoráveis texto e comentários.

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