Jour de Fête

Para Monsieur Norton, que não tem o cinema francês em grande estima, aqui fica uma lista perfeitamente irracional de excelentes filmes produzidos no hexágono  desde 1960, o ano do último grande Renoir, “Le Dejeuner sur L’Herbe”. Começo com os frères Jacques e depois, bem, depois c’est une belle fête. (para reforçar a mitomania do gosto pessoal, assinalo com um asterisco os que considero excepcionais, valha lá o que isso valer).

"Jules et Jim"

“Jules et Jim”

Jacques Becker

– Le Trou *

 Jacques Demy

– Lola

– Les Parapluies de Cherbourg *

-Les Demoiselles de Roquefort

– Une Chambre en Ville *

Jacques Tati

– Playtime *

– Traffic

Jacques Rivette

– La Religieuse

– L’Amour Fou

– Céline et Julie vont en Bateau *

– La Belle Noiseuse

– Histoire de Marie et Julien *

 Jacques Audiard

– Sur Mes Lèvres

– De Battre Mon Coeur S’est Arrêté

– Un Prophète *

 Georges Franju

– Les Yeux Sans Visage *

– Thérèse Desqueyroux

– Judex

François Truffaut

– Les Quatre-Cents Coups *

– Tirez sur le Pianiste

– Jules et Jim *

– Fahrenheit 451

– La Nuit Américaine

– L’Homme Qui Aimait les Femmes *

– Le Chambre Vert

– Le Dernier Métro *

– La Femme d’à Côté

Jean-Luc Godard

– A Bout de Souffle *

– Vivre Sa Vie *

– Le Mépris *

– Pierrot le Fou *

– Weekend *

– Sympathy for the Devil

– Passion

– Nouvelle Vague

– Éloge de l’Amour *

– Notre Musique

 Claude Chabrol

– Les Bonnes Femmes

– Les Biches

– La Femme Infidéle

– Le Boucher

– Violette Nozière

– Une Affaire de Femmes *

– L’Enfer

– La Cérémonie *

– Au Coeur du Mensonge *

– La Fleur du Mal

– La Demoiselle d’Honneur

Eric Rohmer

– Ma Nuit Chez Maud *

-Le Genou de Claire

– Le Rayon Vert *

– Conte D’Été

– L’Anglaise et le Duc

 Alain Resnais

– L’Anée Dernière à Marienbad

– Providence *

– Smoking/No Smoking

– On Connaît la Chanson

Raymond Depardon

– 10eme Chambre: Instants d’Audience

 Chris Marker

– La Jetée *

– Sans Soleil

– Le Tombeau d’Alexandre

Alain Courneau

– Nocturne Indien

– Tous les Matins du Monde

– Le Deuxième Souffle

Claude Miller

– L’Accompagnatrice

– La Petite Voleuse

André Techiné

– Hôtel des Amériques

– Rendez-Vous

– Le Lieu du Crime *

– les Roseaux Sauvages

Nicolas Philibert

– Être et Avoir *

 Mathieu Kassovitz

– La Haine *

Claire Denis

– J’ai pas Sommeil

– Beau Travail *

– Trouble Every Day

– Vendredi Soir

– 35 Rhums

Olivier Assayas

– Désordre

– Demonlover *

– Boarding Gate

– L’Heure D’Été

– Carlos *

 Guillaume Canet

– Ne Le Dit à Personne

Laurent Cantet

– Ressources Humaines

– L’Emploi du Temps *

– Entre les Murs *

Leos Carax

– Mauvais Sang *

– Les Amants du Pont Neuf

– Holy Motors *

Arnaud Desplechin

– Esther Kahn

– La Sentinelle

– Un Conte de Noel *

Nicole Garcia

– Place Vendôme

– L’Adversaire

Christophe Honoré

– Les Chansons D’Amour

Cédric Kahn

– Feux Rouges

 Cédric Klaspisch

– L’Auberge Espagnole

 Lucas Belvaux

– Rapt

 Claude Sautet

– Les Choses de la Vie

– Un Coeur en Hiver

 Bruno Dumont

– Flandres

– Hadewijch *

– Hors Satan

 Maurice Pialat

– À Nos Amours *

– Loulou

– Van Gogh

Michel Deville

– La Lectrice

– Dossier 51

Claude Berri

– Jean de Florette

– Manon des Sources

Jean-Paul Rappeneau

– Cyrano de Bergerac

Pascal Bonitzer

– Petites Coupures

Henri-Georges Clouzot

– L’Enfer

Luc Besson

– Nikita

– Léon

Jean-Jacques Annaud

– La Guerre du Feu

– L’Ours

Xavier Beauvois

– Le Petit Lieutenant

– Des Hommes et des Dieux *

David Moreau e Xavier Palud

– Ils

Alexandre Bustillo e Julien Maury

– À l’Intérieur

 Jean-Pierre Melville

-Le Doulos

– Le Deuxième Souffle

– Le Samourai *

– L’Armèe des Ombres *

– Le Cercle Rouge

Jean-Jacques Beineix

– Diva

– La Lune Dans Le Caniveau

– Betty Blue

Patrice Leconte

– Monsieur Hire

– Ridicule

– Le Mari de la Coiffeuse *

Bertrand Tavernier

– Le Juge et L’Assassin

– La Mort en Direct

– Un Dimanche à la Campagne

– Round Midnight *

François Ozon

– Sous le Sable

– Swimming Pool

– 5×2

Patrice Chéreau

– La Reine Margot

Bertrand Bonello

– Le Pornographe

– L’Apollonide *

Régis Wargnier

– Indochine

Frédérique Fontayne

– Une Liaison Pornographique

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

11 respostas a Jour de Fête

  1. Só os trailers de Godard valem 200 filmes, daqueles americanos, que o mestre Fonseca propaga:

  2. .. embora Godard seja un con suisse… como lhe descreviam as paredes em 68.

    • Ó falso e terrível Táxi que vieste aqui semear a cizânia, mas ouviste das boas do PMS. E mais ouvirias se aqui viesse o tio Godard: ele dir-te-ia que até Weekend pelo menos, tudo o que disse, escreveu e filmou foi de, por, para o cinema americano. Vê-se bem que nunca leste a Biblia que reune os textos dele. O Godard tem um grande desgosto na vida: não ter feito um filme americano. Ponto. Amanhã, ponho isto num post…

  3. Ó caro táxi, o Manuel Fonseca estima o cinema francês mais do que eu. É daqueles que não vê nacionalidades, só emoções. Concordo um bocado com o “con suisse”: o gajo tem uns 70 filmes, e só um punhado deles se aproveitam. Mas o que se aproveitam são de excepção.

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Listagem de eleição. Já guardei.

  5. Ruy Vasconcelos diz:

    Uma lista extensiva, “desdobrada” a partir de uma gênese. Isso de gênese é raro hoje (quase palavrão). Mas, veja, Pedro Marte, há alguma coisa nela que o comum dos mortais, não cinéfilos, como eu, ainda não viu. Há também filmes que estariam com asteriscos, na minha lista. E há outros que estão em demanda. Por exemplo, gosto muito de um filme um tanto ‘desajeitado’, bisonho, de iniciante: ‘Le signe de lion’, de Rohmer — que antecipa um pouco as deambulações, a balada, a pegada de ‘À bout de souffle’. Mas listas não são esse reino da injustiça e dos gostos pessoais? Só por isso já valeriam a pena.

  6. As listas, amigo Ruy, são um daqueles jeitos desajeitados do humano a brincar a Deus, uma maneira de organizar o mundo segundo o nosso gosto e eleição. Vou tentar encontrar esse “Le Signe de Lion” – por vezes, os filmes imperfeitos são os que dão mais prazer, e lugar maior ocupam na memória.

  7. Pedro, não gostei desta tua lista. Esta tua lista não é tua lista. Julgas que podes vir aqui e deixar-nos a chuchar no dedo? De ti, esperamos o que se espera do Papa Francisco e do Papa Godard!

    Esta tua lista só seria a tua lista se a escrevesses, se te enrolasses em três ou quatro destes filmes, chamasses as actrizes, corressses com alguns realizadores e baptizasses alguns dos seus argumentistas. Uma lista de títulos? De ti, queremos escândalos!

  8. Doutor, sabes melhor do que eu que uma lista – das de Paracelso às de Borges, ou das listas cinéfilas de Antonin Artaud às listas cinéfilas de Vinicius de Moraes – dizem muito sobre quem as escreve, quando as escreve. Confesso-me sem energia para escandaleiras. Mas lá chegará o tempo, claro. É só o sol voltar.

  9. nanovp diz:

    Grande Pedro o pobre do Bresson não merece estar, ou ficamos à espera da lista onde o incluas ? Pura curiosidade….

  10. Bernardo, apanhaste-me em flagrante delito! Não só me esqueci do Bresson como de vários outros, como a Chantal Ackerman e a Agnés Varda. É o que dá fazer listas de memória, sem bússola. Do Bresson, pós-1960, teriam de estar pelo menos o “Mouchette”, o “Lancelot du Lac” e o “L’Argent”.

Os comentários estão fechados.