Mil mulheres mortas à tua porta

POEMAS COM ADÉLIA PRADO DENTRO – iv
MIL MULHERES MORTAS À TUA PORTA

Traz uma lei um jugo uma prisão
o amor é criminoso
e voluptuoso ferino exibicionista
mesmo em hora de expediente
aparece num truque de ilusionista
vindo do impenitente coração
sem arrependimento inconveniente:
o amor precisa é de casamento
para ser uma relação civilizada
de tu pão e eu mostarda dois a comer
a memória do sabor do cachorro
Mil mulheres mortas à tua porta
Tenho de afastar a carne nua
uso um sorriso na pontinha dos sapatos
outro na elegância assassina dos saltos
para passar

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

Esta entrada foi publicada em Post livre com as tags . ligação permanente.

11 respostas a Mil mulheres mortas à tua porta

  1. ó mas que sorriso de cinema na pontinha do sapato
    ó um poema a 24 imagens por verso

  2. Bruto da Silva diz:

    Por tua

  3. Não conheço mil, só 14 (se somei correctly):

  4. Sorte sua: assim morrerão menos. 😀

    Merci pelo vídeo.

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Que mortandade adorável!

Os comentários estão fechados.