Não digam que não avisei

Sou nocturna e sombria e tenho os dedos frios como os rios subterrâneos que desaguam nos mitos. Por meia dúzia de bagos de romã, vendo os cadernos onde alinho as vozes alheias com que desfio desejos. Prendo-me às coisas raras e nelas procuro o grifo e a quimera que me prometeram no timbre de um brasão. Sei de mil e um punhais, mas prefiro as espadas ambarinas dos anjos guerreiros que vencem os dragões nos quadros de Uccello.
Tenho sete segredos, mas não conto nenhum.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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6 respostas a Não digam que não avisei

  1. E eu, fiquei com a tola num molho de brocas!!!

  2. Ivone Mendes da Silva diz:

    Tento perceber: “tola num molho de brocas” significa “confundido”? Deixe lá, acontece-nos a todos 🙂

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Para seu e nosso deleite:

  4. nanovp diz:

    Não conte Ivone. Escreva!

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