Novo ‘banner’ – Alegria na mão

Sofia Areal

Sofia Areal

A ciência conjuga-se de muito perto com a arte. Ocasião para lembrar conselho de Salvador Dali aos candidatos a pintores, igualmente oportuno para jovens cientistas: _ “Não temam a perfeição. Nunca lá irão chegar.”

Apetece desmentir o mestre em presença do novo banner que encima o “Escrever é Triste” pela mão feliz da Sofia Areal. Apetece escutar os lugares plásticos desta pintora. Em alternativa, pensar o futuro de modo contínuo e gratuito num carrocel de amanhãs ignotos a partir de tempos idos. Traços verticais ou horizontais e círculos como vocabulário novo da Sofia Areal que a ciência/arte agradece. Nos vermelhos e azuis puros recebidos da banda do visível da luz solar, nos amarelos, o encontro dos ícones atrás mencionados com flores que não parecem sê-lo mas são. Neles, a personalidade observadora da artista, a crítica social e política que cada um subentende. Da Sofia Areal, o retorno sob a forma de alegria da mão que o traço e a paleta conquistam.

Sofia Areal

Sofia Areal

Mas há o negro, o glutão das radiações nos traços lineares do banner. E o Sol rodeado de vermelho, mais «frio» do que o amarelo. De novo, a pintura da Sofia Areal respeita a ciência. Num daqueles amanhãs ignotos, o Sol irá arrefecer progressivamente até anular a entropia terrestre obtida do astro majestade. A cor vermelha será, então, a solar. Processo continuado na diminuição de tamanho do corpo celeste até ao branco cor, soma de todas. No banner, o resumo subjetivo do escrito.

Sofia Areal

Sofia Areal

Além da pintura e do desenho, Sofia Areal desenvolve investigação plástica nas áreas da ilustração, design gráfico e cenografia. Foi influenciada, benditas «fontes»!, por Picasso, Mark Rothko e Sam Francis. Do movimento expressionista abstrato, não prescindiu de Eva Hesse ou Eduardo Chilida.

Os trabalhos da Sofia Areal são eloquentes. Pensados e sentidos. Nunca cerebrais. Sempre maiores que os escritos sobre ela. Unem intuição e razão. Força, pensamento, modo de estar neste mundo precário. Na volatilidade do tempo, conflitos interiores desde o figurativo até ao abstrato falador de hoje. Avançou para o grafismo que a coleção “GEO” da Vista alegre ilustra. Além da referida, em porcelana, outras séries da pintora foram editadas : a “série IDA”, a “TIM” e a “MAX”.

Sofia Areal - porcelanas

Sofia Areal – porcelanas

Como Kepler se entregou ao estudo dos astros e ao mecanismo da vista humana, Sofia Areal permitiu que o talento arrancasse ao olhar harmonias novas. Como Kepler perseguiu o ajuste de figuras geométricas entre elas, quais matrioskas, talvez nazarenas das muitas saias. A artista substituiu a lotaria das formas por um sistema luminoso e ordenado. E quem jura não serem os círculos que a pintora desenha planetas numa galáxia por descobrir onde linhas irregulares revelam trajetórias planetárias em universos outros?

Entre anteriores e posteriores, merece destaque a exposição “Sim” na Cordoaria Nacional em 2011. Na inauguração da mostra, disse Sofia Areal: _ “Se pensar bem, na verdade, os quadros que abrem a exposição são muito uma vontade de mudança, de limpar, de arejar, de pôr a casa limpa outra vez. Com cores firmes, transparentes e lisas. E essa é, no fundo, uma limpeza que todos desejamos.”

Nota: imprescindível fruir do site da artista para mais ver e saber.

Porque os génios são humanos, excelente trabalho da RTP2.

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.
No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.
Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.

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14 respostas a Novo ‘banner’ – Alegria na mão

  1. Ruy Vasconcelos diz:

    Agradecido à Sofia Areal e à Maria do Céu por nos presentearem com tão belo banner.

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Agradeço-lhe, Ruy, as palavras sobre a modesta parte que me toca na apresentação do belíssimo ‘banner’ duma artista cujo talento é indiscutível.

  2. Faço minhas as palavras do Ruy. A Sofia Areal touxe-nos a mais colorida tristeza e a Maria do Céu soube descrevê-la muito bem. Um tristíssimo obrigado.

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Deixou-me ‘speechless’. Mas apreciação favorável dum escrito sabe mesmo bem.

  3. Viva! A Primavera entrou no lindo blog. Obrigada à Sofia Areal e merci à nossa Céu.

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Escrever sobre a obra da Sofia Areal foi um gosto. E, sim, a Primavera está no “Escrever”. Que delícia!

  4. Magnífico banner. E que honra termos a Sofia Areal entre nós. Muito obrigado à Sofia Areal, muito obrigado Maria.

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Apaixonei-me pelo ‘banner’ assim que o vi. Depois, escrever sobre a Sofia Areal foi um prazer. Grata pela sua apreciação do texto.

  5. nanovp diz:

    Mudança limpeza e arejamento são sempre bem vindas. Justo resumo Maria do Céu, de obra e artista.

  6. Rita V diz:

    Obrigada Sofia Areal.A Primavera começa bem. Céu que belo texto.

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