O meu país

O meu paísUrbanização

Tudo o que vivêramos
um dia fundiu-se
com o que estava
a ser vivido.
Não na memória
mas no puro espaço
dos cinco sentidos.
Havíamos estado no mundo, raso,
um campo vazio de tojo seco.

Depois, alguém
urbanizou o vazio,
e havia casas e habitantes
sobre o tojo. E eu,
que estivera sempre presente,
vi a dupla configuração de um campo,
ou a sós em silêncio
ou narrando esse meu ver.

Fiama Hasse Pais Brandão

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem. Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton. Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque... escrever é triste.
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6 respostas a O meu país

  1. Ivone Mendes da Silva diz:

    Leio Fiama muitas vezes. Que bom tê-la trazido para aqui, Rita.

  2. nanovp diz:

    O vazio, na terra, vai sempre sendo preenchido….

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Nem imagina como me tocaram imagem e texto após publicação noutro lugar!

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