Suíte Mariana Nº5 – Jobim e Jazz

mariana063Estação Ferroviária da cidade de Mariana, Minas Gerais

“Está chovendo sobre o mundo, Mariana”

(Joaquim Cardozo)

Prosseguindo com registros esporádicos, retalhos de música nossos gravados por aí, em discos de amigos ou conhecidos, vamos de “Mariana”. Talvez só porque hoje é dia de poesia. Em meados dos 90, iniciei a composição de uma série de temas aos quais reuni sob o título de “Suíte Mariana”. Todos com letra e música. Cinco ao total. A gravação que se segue é a da única parceria na composição dessa Suíte: O Movimento 5, que se chama simplesmente “Mariana”. Foi registrada somente em instrumental, no disco de Pádua Pires, Cidadela (2002), já apresentado por aqui em outro post. Foi composto com a luxuosa colaboração de Juca Santabaia, talvez o mais discreto talento musical em Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Um músico e arranjador de uma intuição à flor dos compassos e uma timidez folclórica, de haver subido ao palco apenas em duas ou três ocasiões. Na gravação abaixo, no início e ao final, guitarra e sax duplicam o tema principal. E, no entanto, apesar de haver sido registrado no disco de um guitarrista, o que sobressai – sintoma de elegância – são os solos de sax, dobrados, de Márcio Resende, no miolo. Márcio é um saxofonista e flautista de jazz-bossa do Rio de Janeiro – com larga vivência de session musician, e colaboração com nomes que vão dos mineiros do Clube da Esquina, a Gal Costa, passando por Nana Caymmi ou o Boca Livre. Resende ancorou em Fortaleza há anos atrás, e ficou em definitivo. Às vezes, saindo de minhas aulas na faculdade, ao fim da noite, ou de vigorosos brainstorms na agência de publicidade, em impensáveis foras de hora, seguia direto para onde Pádua e Resende estavam a produzir sua música em gigs um tanto improvisadas por pequenos barzinhos da Aldeota.

Então, aí segue o duplo solo de “Mariana”, com seu sintoma de intensa conversa. Ele fala por si. Ou de nossa paixão por Jobim e jazz. Ou não menos pelo que nisso havia de alguma graça solteira e mariana, ao redor. Anos depois, e minha filha mais velha (hoje com nove) recebeu o nome desta canção:

Sobre Ruy Vasconcelos

Nasci mais ou menos no Brasil. Vivi em alguns lugares distantes. Em trânsito. Em transe. Em tradução. Por aí, ocupado com palavras. Palavrinhas, palavronas. Conheci estes amigos portugueses um blogue atrás. E gostei do que li.
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10 respostas a Suíte Mariana Nº5 – Jobim e Jazz

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    Fabulosos retrato escrito e som.

  2. Linda música e viva às Marianas 🙂

  3. Carla L. diz:

    É o tipo de música que não me canso de escutar.Vou longe com ela, muito além de Mariana…

  4. Ruy Vasconcelos diz:

    Quando você gosta de uma coisa, Carla, a gente já fica mais tranquilo. Obrigado pela audição.

  5. nanovp diz:

    Quantas histórias por detrás da música, umas aqui contadas outras por nós imaginadas. Bem hajas amigo Ruy….

  6. Ruy Vasconcelos diz:

    E quem vive (ou conta) sem elisões, Bernardo?

  7. Vinícius Madureira diz:

    Prof. Ruy, infelizmente neste ano o Afetivagem passou a ser acessado somente por convidados. Gostaria, se possível, de continuar partilhando de sua escrita e poemas. Desculpe me servir deste espaço para lhe fazer tal pedido (pensei até em enviar uma carta para Sergipe…). Vinícius

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