The land where the men are men and the sheep are nervous.

newzealand_merino-sheepConfirmo o bom conselho do Henrique: a Nova Zelândia é uma bela terra.
Quando lá fui havia só cinco milhões de neo zelandeses. Pouca gente embora já tivesse muitos chineses que são também a maior preocupação de imigração; quando a China colapsar por descalabro ambiental e míngua de recursos, é para lá que eles vão, segundo os especialistas catastrofistas. Dos cinco milhões, quatro vivem lá e o outro está espalhado pelo resto do mundo que é, como se sabe, os Estados Unidos, a Inglaterra e a Austrália.
Quem lá está, sobretudo os mais novos, só pensa em sair para o mundo. Sentem-se na parvalheira, por assim dizer. Claro que não é, mas isso só sabe quem vem de fora.
Disseram-me, na ilha do sul, que tinham o maior número de ovelhas por habitante – daí o ditado – e que os agricultores cultivam mais terra e criam mais gado por pessoa que em qualquer outro lugar do mundo. Diziam-me, também, que era o único sítio onde a agricultura não era subsidiada (ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos que, vim a saber, é também subsidio dependente). Isto significava que trabalham mais do que os outros. Vida dura a de agricultor.
Talvez por trabalharem muito, e por estarem longe, conseguiram coisas fantásticas. Apesar do mundo ser global e plano e bla, bla, bla, e ter muita coisa barata, a NZ é longe e por isso têm de se safar sozinhos.  Vai daí e têm estaleiros e fazem dos melhores veleiros do mundo; e têm industria aeronáutica e fazem aviões para poderem deslocar-se de um lado ao outro. E fazem vinho. Muito vinho e bom.
Os homens são lindos. Bem feitos, musculosos, simpáticos e com cara de homem: de feições simétricas, talhadas a escopro e martelo. Os homens parece que fazem todos parte da selecção de râguebi. As mulheres, infelizmente, também. Daí o ditado. Haverá com certeza excepções mas os meus olhos não pousaram em nenhuma.
Mas são todos e todas muito, muito simpáticos. Têm, como nós por cá, complexos de inferioridade (sobretudo para com a Austrália) que os torna extremamente prestáveis, para anglo-saxónicos. Um surfista que conheci ficou muito admirado por eu ter ido visitar só a Nova Zelândia. O normal é a NZ ser apenas uma escala, na viagem à Austrália. O meu amigo não imaginava que a terra dele merecesse uma viagem ao fim do mundo. Mas merece.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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16 respostas a The land where the men are men and the sheep are nervous.

  1. Luís Paiva diz:

    Em aparte, a foto até faz lembrar um velho anúncio da Woolmark…

  2. Henrique Monteiro diz:

    Obrigado, Pedro, pelo retrato. Não demoves a minha juventude de imigrar, mas convences a minha velhice a ficar

  3. olinda diz:

    és um bom contador de histórias e um bom guardador de carneiros e de nervos. parabéns, Pedro.

  4. Bruto da Silva diz:

    E, entre outras proezas, tornaram o Kiwi numa bandeira NZ a nível mundial.

    http://sdarl.blogspot.pt/2011/01/kiwi-orchard-agrodome-show-pictures.html

  5. Ruy Vasconcelos diz:

    É. Em alguns “paraísos” anglo-saxões nos sentiríamos como ratos de esgoto, passada a estadia de férias, onde tudo que reluz.

  6. Por cá vivo há meio ano (e com alguns pela frente nos planos), precisamente na ilha sul, e dou os meus parabéns porque foi a primeira vez que em Português li tais verdades sobre a realidade de cá (em particular desta ilha).

    De facto os mais jovens vão para fora (no pouco tempo que cá estou já vi vários rumar à vizinha Austrália) e no fundo compreendo-os. Se tivesse os meus 18 ou 25 anos e tivesse vivido aqui a minha vida toda, faria o mesmo.

    Mas já tendo corrido meio mundo e vivido em mais que um país, o que posso é dizer que eles muitas vezes não tem noção do paraíso que tem. E de facto é esta a palavra “paraíso” que encontro para descrever o que se sente, mesmo que por muitas vezes pareça que viajamos no tempo e estamos no início dos anos 90 em Portugal ou noutro país Europeu (com tudo de bom que isso trás, mas também com tudo de não tão bom também).

    Seja como for, se não der para emigrar, recomendo vivamente um visita… de 3 semanas pelo menos.

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Um dos meus sonhos adiados. Agora, o «fala-baixinho» não deixa.

  8. nanovp diz:

    Agora fiquei um pouco confuso chineses, mulheres iguais aos homens e muitas ovelhas….

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