Um mundo simpático

Acordei a pensar que as pessoas fazem grandes teorias, grandes de mais. Por exemplo, a teoria do Mundo Novo ou do Homem Novo, ou do Super Homem (übermensch), ou da Paz Universal. O Papa Francisco, que se arrisca a ser um Papa Pop, disse uma coisa simples como esta: “Um homem pobre, como eu, queria uma Igreja pobre e para os pobres”. Eu vou no caminho dele. Um homem simples, como eu, quer um mundo simples. Um mundo onde a nossa ação se encontre, onde todos os pathos se juntem e nos tratemos como pais e filhos ou como irmãos. Não é um mundo novo, nem uma revolução, que vem de fora para dentro, mas um mundo simpático – que vai de dentro para fora.

Bom dia

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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20 respostas a Um mundo simpático

  1. Luisa Tavares de Mello diz:

    Defronto-me, todos os dias, com o mundo complicado que nos criaram e com algumas das grandes teorias que são falsas ou não funcionam.

    Convém, por vezes, não denunciar que o rei vai nú e fazemos os possíveis para estarmos à altura das circunstâncias, não vá o diabo tecê-las e haver mesmo teoria e a dita cuja funcionar.

    Mundo de faz de conta em que as pessoas, mais velhas, dispoêm cada vez de menos espaço para serem o que são, com a simplicidade que as coisas e as pessoas grandes, por vezes, têm.
    Não sou católica mas gostei dos sinais do Papa. Se não for mais nada – entretanto chegaram as teorias – que seja simpático e solidário com os pobres que é o que estes mais precisam.

    Obrigada pela simplificaçaõ

  2. Ruy Vasconcelos diz:

    Cativa esse conceito do simples. Em geral, as pessoas confundem-no com fácil. Não se trata disso. Provavelmente tem mais a ver com estabelecer prioridades. E com a simpatia de que você fala. A escolha de Francisco indica boa coisa: um passo na direção da prática, do mundo, da ação, da busca por soluções, da conversa, de um pouquinho mais de urgência no debate de certas questões. De pressentir que o mundo não está só preso, coagulado em tratados, encíclicas, bulas. Mas pulsa aqui e agora em contiguidades. Um jesuíta, latino-americano, de hábitos frugais, austeros, mas visivelmente bem-humorado, e de marcada preocupação com desigualdades sociais (que ainda são mais pontuais e cotidianas para boa parte da população deste mundo) surge como uma lufada de ar fresco. Areja o ambiente.

  3. E a décalage entre o que o nosso desejo quer e o que a nossa prática faz?

  4. Talvez seja preciso aplicar a navalha de Occam ao mundo político e social. Votaria nesta simplicidade, e num Princípio da Simpatia.

  5. nanovp diz:

    O difícil não é viver, o difícil é saber viver. Porque tudo o resto é complicar o que é simples.

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    Não tenho voto na matéria, mas seguindo o princípio da simpatia – e ó se a Igreja Católica me é simpática! – diria que não gostava que a Igreja ficasse assim tão pobre. Por causa dos pobres.

    ps- Ó Henrique andaste na mesma comunidade de base que eu? Também leste o Padre Jean Cardonell e seguiste a teoria de só se dá do que não se tem?

    • Henrique Monteiro diz:

      Ó Manel, a minha escola é o Colégio Moderno, republicana, laica, socialista, maçónica.Nada de padres na minha educação

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Não é dessa que estou a falar. Da outra, da que já fomos nós a escolher. Nada de padres, nem um jesuíta?

        • Henrique Monteiro diz:

          Nem um jesuíta, nem um palmier. Toquei órgão na igreja de São João Baptista do Lumiar algumas vezes, mas nem o padre de lá acreditava em Deus.

  7. Transcendente na simplicidade, que é a essência da mensagem de Cristo. À simpatia, prefiro humanidade! Curioso; recordo as palavras de Saramago, incréu convicto e anticlerical, que, um dia, a propósito de uma obra sua recém-editada – que não recordo – referiu tratar da necessidade de cada um se preocupar com o outro através da expressão: ” e você quem é?”. Ora este é um requisito cada vez mais necessário nos tempos atuais.A verdade é que, cada um de nós, passa a vida a tentar dizer quem é, de múltiplas formas, seja buscando a distinção seja a comiseração. Raramente olhamos quem temos à frente e fazemos a pergunta redentora; “e você quem é?”; aquela pergunta por que ansiamos que nos seja feita, sobretudo nos momentos de solitária angústia e dor.

    A um Papa, a uma Igreja, não se pede que seja apenas simpático (a), mas que tenha essa capacidade de fazer sentir a cada um que a redenção é possível; que é possivel desfazer os nós da alma, da consciência através da solidariadade e do amor ao próximo contidos na mensagem de Cristo.

    Pede-se que reconstrua a igreja segundo os preceitos Cristãos, eliminando o fausto e a ofensiva ostensividade, que a tem caracterizado o mundo eclesiástico.

    Por mim, gostaria de o (os) ver sair dos clautros religiosos “para a rua”; buscando o olhar dos famintos de pão, de esperança e de afeto, capaz (es) de um afago, não ao cidadão indistinto, longínquo, informe na massa anónima, mas àquela, àquela, mesmo em frente, em qualquer lado; católico ou não, cristão ou não. Jesus Cristo a todos, indistintamente, abriu os braços, mostrando o caminho; crentes, ímpios e blasfemos.

    É esta a força do Cristianismo. Foi esta a força motriz do mundo ocidental como o conhecemos hoje. É na relativização dos valores Cristãos, quanto a mim e pelos vistos, quanto a Frei Bento Domingues e Vaclav Havel, que radica a causa primordial da atual crise.

    Benvindo Francisco!

    Qual comandante da velha nau, espero que, Francisco, seja capaz de medir a altura do sol e corrigir o rumo na direção do porto, que todos nós, de uma ou outra forma, explícitamente, impícitamente ou secretamente, aspiramos.

  8. Permitam-me esta oferta a singela e despretensiosa:

  9. Esta versão é bem melhor.

  10. Maria do Céu Brojo diz:

    Até que enfim encontro quem pense sobre o novo Papa refletido nos indivíduos o mesmo que eu. Sabe lá as tareias ideológicas que tenho recebido!

  11. Mário diz:

    A quantidade de posts a falar do Papa e da Igreja por frequentadores do Colégio Moderno, republicanos, laicos, socialistas, maçónicos e, acima de tudo, sem vestígios da presença de padres na educação [comprovado por amostragem pela ASAE], deve ser um qualquer processo de evangelização, mas ao contrário, ou uma cruzada qualquer [tanta referência à Igreja Cristã, cruzes canhoto]. É como pedir a opinião ao Padre Carreira das Neves sobre a maçonaria. Sabe a mousse de chocolate de pacote. Sorry.

    • Henrique Monteiro diz:

      Mário, está à vontade. Sabe que as pessoas elevadas discutem ideias, as pessoas normais discutem acontecimentos e as pessoas mesquinhas discutem outras pessoas. É o seu caso, mas não será o meu.

      • Mário diz:

        Henrique, não estava a pô-lo em causa, não sei se é boa ou má pessoa, não o conheço, simplesmente questionei as suas motivações (e a de outros a quem servir a carapuça).

        Mas não gosto de ler que se teve uma educação “livre de padres” como se tivesse a falar de uma doença grave e outros substantivos transformados em adjectivos positivos como se fossem verdades universais.

        Além disso, chamar “mesquinhas” às pessoas não lhe fica bem, especialmente para quem afirma só discutir ideias. Ao menos seja coerente.

        E já agora, tudo é discutível, principalmente as pessoas. Hitler e Mussolini até eram uns tipos porreiros, as ideias é que os tramaram. Era só o que faltava.

        E não precisa responder outra vez, já teve a amabilidade de perder tempo comigo. Foram, certamente, os meus 15 segundos de fama (15 minutos era um exagero, há-de concordar comigo).

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