Uma ária de agradecimento

Há uns meses atrás o E. é T., precisado que estava de classicismo e respeitabilidade, contratou o Henrique. Foi uma alegria.
Com a música clássica – e a romântica, e a barroca – a entrar pelas nossas tristes almas, e, à sua boleia, o Senhor, ficamos mais cultos, mais respeitáveis e, sobretudo, mais devotos.
A série de árias, que com critério editou e postou nestas páginas, para deleite do nosso cortex auditivo (área 22 de Broadman), bem como a resignação e eleição do Papa, que com mestria orquestrou nos bastidores da cúria, só para não ficarmos sem assunto religioso, aqueceu-nos os pés, as mãos e os corações neste Inverno que tem sido o do nosso descontentamento.
Há muito que procurava um presente adequado para exprimir o meu agradecimento e finalmente encontrei-o: em forma de ária. Um momento único onde o bel canto e a bela religião se juntam e se corporizam (sem malícia) em forma de inocentes e virginais meninos de coro de cujas boquinhas saem sons celestiais.

Senhoras e senhores a ária dos dois gatos de Rossini (que, afinal, não é de Rossini). Henrique esta é para ti.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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11 respostas a Uma ária de agradecimento

  1. Bruto da Silva diz:

    Que maravilha!

    Junto palmas ao coro da assistência e rejubilo com a graça do texto e a finura da mensagem.

    • Pedro Bidarra diz:

      Foi uma aparição nas minhas deambulações (que eram à procura de música, não de meninos)

  2. Bruto da Silva diz:

    E vai aqui também uma oração em louvor da Felicidade que hoje ganhou dia de discussão tão oportuna 😉

  3. olinda diz:

    🙂 uma ária cheiinha de cio celeste, tinha mesmo de dizer isto. 🙂

  4. Henrique Monteiro diz:

    Ó´valha-me Deus! Vais ver o que te faço um dia destes
    🙂

    • Pedro Bidarra diz:

      O filme apareceu-me esta manhã e pediu-me para vir até aqui. Eu disse-lhe que precisava de uma justificação, senão era um post gratuito e ele, sussurou “Henrique, Henrique”.
      Mas estou aqui de peito aberto às balas 🙂

  5. Já me ri com a provocação, Pedro! E com a resposta, confesso…

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    “Encore, encore!” não é pedido para aqui. Ao reler e ouvir, “Bravo, bravo” adequa-se melhor.

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