46 Hereford St.

Ali, logo a seguir aquele fumo ao fundo do ecrã, ficava a minha casa. 46 Hereford St. Uma das moradas mais felizes da minha vida. Uma vida perpendicular a esta Boylston que vêem agora virada do avesso.

Todos os anos, com uma precisão de máquina suíça, a maratona passava por baixo do meu mundo ou do que dele avistava da minha janela. Talvez por isso me tenha posto a pensar, cá com os meus fantasmas, que pode bem ser que por ali passe, também, o cortejo que há de levar o rapaz que podia ser um dos meus, “o menino de sua mãe“, o rapaz que, lá longe, “jaz morto e arrefece“.

Hoje acordei fodido com o Mundo.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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9 respostas a 46 Hereford St.

  1. Olinda diz:

    o mundo também é triste. e escreviver essa tristeza confere o direito do querer enfiar os cornos na palha para adiar o acordar. 🙁

  2. Pedro, ontem, quando isto me entrou pela banalidade do serão a dentro, o que pensei foi o que aqui diz e isso é o mais fundo terrorismo: um dia em que a família está junta e a comunidade se aproxima em torno do acontecimento que lhe diz respeito. E o quão corriqueiras e insuspeitas foram as armas do ataque. Nada sofisticado, inacessível para trazer o terror puro. Podia ter sido connosco.

  3. Henrique Monteiro diz:

    That’s bloody right, pal

  4. Estas bombas são o entrudo do feio que o mundo está. E o feio pode ser muito perigoso.

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Almas negras que fazem dos lutos a felicidade.

  6. Pois é Pedro, lembrei-me logo do ano em que vivi lá…um pouco antes de ti!
    A vida é lixada, para não dizer f…..

  7. Mário diz:

    Os EUA adoram winners. E detestam loosers. Adoram histórias de underdogs que se transformam em winners. It´s all about winning, dizem eles. Mas para os outros, os loosers, não há simpatia, nem coompreensão, apenas a culpa própria. Mas nunca se deve deixar ninguém para trás pois é da massa dos excluídos, dos reprimidos, dos frustrados, dos estigmatizados, dos abandonados, dos sociopatas, dos psicopatas, dos mal-amados, dos revoltados, dos incompreendidos, dos loucos, que emergem estes anjos negros! E os EUA estão cheios de loosers. E depois dá nisto. Mas há coisas que não têm explicação. Ou se têm já não me apetece saber. Tarde demais. Take no prisioners, apanhem esse gajo e f……….. todo!

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