Arqueologia cibernética

Tariffario

Seguia eu pela rede quando, num inesperado cruzamento de interesses—História, Itália, publicidade e bordéis—dou de caras com este artefacto. Um anúncio de 1923 feito como manda o marketing. Um exemplo de comunicação publicitária em tempo de crise onde, como sempre, o preço baixo é rei mas a qualidade não é descurada. O anúncio tem fotografia cuidada e convidativa—o chamado pack-shot que aqui, por maioria de razão, se pode chamar de foto-do-pacote—tem a promessa, tem o preço e até uma oferta promocional. Um clássico.

Mas o que motivou este texto, e esta partilha, não foi tanto a relíquia publicitária, mas antes a vontade que tenho, todos os dias, de agradecer aos deuses ou lá a quem é que inventou esta coisa da Internet.

A Internet, para além de nos trazer tudo o que é novo, traz-nos também tudo o que é velho graças à generosa actividade ciberarqueológica de amadores, tanto quanto de profissionais, que todos os dias convertem conhecimento e História em zeros e uns. Todos os dias estes desenterradores e digitalizadores de artefactos (alguns irrelevantes outros instrutivos como este) exumam do esquecimento e das prateleiras desarrumadas pelo tempo, vetustas, embora deliciosas, surpresas. Alfarrábios emergem do fundo de armazéns poeirentos em forma de PDF’s; curiosas fotografias e filmes são desmaterializados em informação para nosso entretenimento, educação e deleite; hábitos antigos, costumes perdidos renascem para a vida. Os deuses todos, e todas as artes, estão aqui, na Internet. Basta procurar. Um homem pode perder-se, neste ciberfestim de conhecimento, de informação e História que não deixa que morram os bons exemplos e as práticas ancestrais; como é o caso da casa da Madame Renata.

Há tanto a aprender com a História. E, já agora, com os Italianos, que sempre foram vanguardistas e a preços baixos.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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17 respostas a Arqueologia cibernética

  1. JPR diz:

    Pois é a História e a vanguarda…
    Nem a propósito de putas e filhos de puta, colocando os olhos em Itália, onde um Presidente octagenário conseguiu o “milagre das rosas” de formar um governo de coligação, cá pelo burgo temos, dizem, uma puta de uma Maria a escrever discursos inflamados para o senhor Silva inflamar os mais incrédulos no dia da liberdade.
    Venha a história, os mercados e as tarifas para nos alimentar a alma,

  2. A madama Renata é que fazia falta em Portugal, para aumentar a competitividade, e a concorrência cortar nos preços. Gaspar aprovaria e o ministro Álvaro frequentaria.

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Neste Dia do Trabalhador, que permaneça a memória da empreendedora madame.

  4. Já somos dois a agradecer! Isto de fazer acessível o que antes não o era, é um bem.

  5. Sem dúvida, quem desconhecer a sua História e o seu histórico, anda por aí perdido…no tempo! Deliciosa a última frase do sublime anuncio…(…) atenção especial para estudantes e militares,(…)!
    Pois então, sempre poderia sobrar pouco dos Prés e Bolsas de Estudo! Madame avisada! Embora não enquadrado na perfeição é um tema dedicado ao “Trabalho Feminino”, assim adequado ao 1º de Maio. Porque não?
    Uma boa tarde!
    Jorge madureira

  6. Rita V diz:

    … oferta da casa!

  7. Manuel S. Fonseca diz:

    Con due signorine insiema é para quem se sinta um bocadinho inseguro, não é?

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