Eu, piroso, me confesso.

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Ao tempo que eu andava para confessar isto!

Gosto de piroseira. Gosto do Elvis, dos Fine Young Cannibals, dos Bee Gees e até do George Michael. E do Prince. Prince Roger Nelson de seu nome. Compositor de génio, virtuoso brilhante, performer de culto. Gosto dos querubins pirosos do Rafael.  Gosto da piroseira ao baloiço de Fragonard. Das paisagens pirosas de tão românticas de Friedrich. Até ao piroso Damien Hirst devo confessar que acho uma certa graça. Gosto de árias pirosas. E da furtiva lagrima mais do que todas. Tenho saudades das festas pirosas em que alternavam slows pirosos com shakes estonteantes. Adoro a piroseira grotesca de Fellini,  a piroseira sangrenta de Tarantino, a piroseira, tristíssima, de Ophuls. E não desgosto de uma boa parte da piroseira travestida de Almodóvar. Se querem generalizar fiquem mesmo a saber que tenho um fraquinho por todas as pirosices em  Technicolor. Gosto das pirosas novelas de amor de Zweig. Das pirosices eróticas de Milo Manara e das piroseiras reprimidas de Jacques Martin. Quando fui a New Orleans com o Mestre Fonseca comprei uma concha com um Cristo bem bonita para dar á minha avó. Ás escondidas. Gosto da Disneyland, daquelas bolas de vidro com neve dentro e só por manifesta falta de coragem não tenho um duende no jardim. E gosto, claro, da Joana Vasconcelos, que o Henrique anda para aí a insultar.

Mas mais do que tudo, e só a vocês me confesso, gosto de mulheres pirosas. E com um bocadinho de estrabismo, vá.

 

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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22 respostas a Eu, piroso, me confesso.

  1. Bruto da Silva diz:

    Com uma grande coragem, não resisto, gosto desta tristemente franca piro seira 😉
    Confesso também que alinho nesta linha de pensar que há manifestações mais que pi rosas pensando que o não são.

  2. Olinda diz:

    boa, Pedro, agora só falta mesmo que não te importes, de todo, com os olhos pirosos dos outros fora do confessionário também.:-)

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Temos em comum muitas das suas pirosices, até porque pirosa também me confesso.
    Não sendo habitual colocar vídeos nos comentários, ao que segue não resisti por ser o ilustrador Milo Manara um gosto meu.

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    Só mesmo Sua Eminência Cardinalícia para, no antro dé vício que é o French Quarter, comprar um Cristo marujo, vá lá, boticcelliano. Lindo post, diz quem também é um tearjerker

  5. Lininhacbo diz:

    E já agora viva um pirar piroso, saudoso e que faz bem à saúde.

  6. Pirosa há muito confessa, olhe, bem-vindo.

  7. Desculpem lá, mas há coisas que não se podem deixar passar impunes: ninguém neste blogue é mais piroso do que eu. Eu nasci piroso. Aos 7 anos tinha os singles dos vencedores do Festival da Eurovisão. Vi o “Saturday Night Fever” 5 vezes com nove anos. Usava sweat-shirts verde alface Benetton. Ó doutor Norton, o senhor não tem qualquer hipótese.

    • Pedro, Pedro… não me abra essa Caixa de Pandora que me sai de lá o single do Johnny Logan e ainda sei a letra de cor! Não tinha 7 anos… Isto para não confessar que no outro dia estava a bater o pezinho debaixo da mesa no restaurante onde, um piroso de quinta, está visto, pôs a tocar o tio Joe Dassin.

      • Pedro Norton diz:

        eugénia, eugénia. Não brinque com o Joe Dassin. Fartava-me de ouvir isso no pick-up do meu pai e ainda hoje, de quando em vez, me foge o pé para um slow francófono.

  8. Eugénia, não me fale desse grande artista que é o Johnny Logan. Nem da Sheena Easton, essa giraça. E se começamos a falar do Art Sullivan…

    • Pedro Norton diz:

      Pedro: tu não desinquietes a besta pirosa que há em mim. Se eu te dissesse que ouvia o quando o telefone toca e que sei de cor a “petite demoiselle” de Art Sullivan?

      • Hello, hello…

        Está aberto o clube e não se fala mais nisso! Vou buscar o duende, conto consigo para o globo de neve e vou pedir ao nosso PMS que traga luzes de Natal suficientes para dar a volta às instalações.

  9. Não me precisavas de dizer isso, já tinha pressentido que eras fã. Sinto o mesmo com o “Too Shy” dos Kajagoogoo. Aquilo mexe comigo

  10. Carla L. diz:

    Tenho uma bruxa montada numa vassoura que me indica a direção do vento, lá de cima do telhado…mas que boa e “pirosa” idéia a do duende, melhor que os anões da Branca de Neve!!! E sua avó? Gostou do presente? Estou aqui pensando que lampadinhas de Natal formam um conjunto bem interessante, principalmente em technicolor.

  11. Mário diz:

    Acima de tudo este texto é de muito bom gosto 🙂

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