Agora que penso nisto, verifico que há uma grandessíssima semelhança entre a fé e a navegação. A navegação por cabotagem, entre dois portos, mas sempre com os olhos na linha da costa, oferece-nos um sentimento de segurança na vida. Sei por onde vou, sei para onde vou. Não se pode prever tudo, porém consegue-se calcular os riscos.

No entanto, há lugares onde só se chega atravessando o mar em noites onde nem as estrelas nascem e todos os indícios se afogaram. Quero dizer: ter fé é saber que a luz se faz na maior escuridão. Que já chegámos a terra firme mesmo quando à nossa volta só há mar, mar, mar.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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13 respostas a

  1. Olinda diz:

    excelente reflexão, Eugénia. a partir de agora terei sempre essa imagem de uma lamparina no soalho. linda.:-)

  2. Bruto da Silva diz:

    Mas a Fé é duma viagem permanente, que nunca acaba, que nunca chega… e move montanhas?

  3. E amar. Amar a linha de costa, amar o mar onde nes estrelas nascem.

  4. Rita V. diz:

    Chegar a terra firme e só haver mar, mar, mar é um bocadinho como encalhar sem naufragar?
    🙂
    Ter fé é uma coisa tão boa!

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Assim é. Mas retomo o comentário do Manuel. Amar, amar sempre e perdidamente.

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