MEC

A maior herança de Miguel Esteves Cardoso, com quem tive o prazer de trabalhar, não foi a qualidade da revolução que operou no olhar jornalístico português. Foi tê-la concretizado sem azedume, sem sarcasmo, sem ironia assassina. O amor pelas pessoas e o optimismo face aos seus actos, permanentes na escrita de Miguel, são o seu maior legado. Nesse sentido, trata-se do oposto absoluto do olhar de Vasco Pulido Valente (que me ensinou muito), brilhante mas mais fácil de mimetizar. A crónica e a escrita jornalística portuguesas bem precisavam de mais exemplares dessa “inocência lúcida” inaugurada pelo MEC.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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7 respostas a MEC

  1. jcpessoa1j diz:

    Curioso foi a maneira como aprendi a gostar da escrita dele.
    Primeiro desgostei, depois degustei!!!
    Concordo consigo Pedro Marta Santos.
    Abraço
    João Pessoa

  2. Henrique Monteiro diz:

    Também concordo, Pedro. É rara a ingenuidade que triunfa. No caso de MEC trata-se da exceção.

  3. celeste martins diz:

    A escrita ora contundente, ora reguila dá-nos a imagem dum homem com alma desconcertantemente jovem!!!!

  4. Olinda diz:

    é aquela loucura sadia sem ser rápida: a inovação MecLiteratura. 🙂

  5. Mário diz:

    Lembro-me de, no 10.º ou 11.º ano, comprarmos o Independente (à vez, porque toda a gente sabe que os estudantes não têm dinheiro – para além do que se conseguia surripiar aos pais) só para lermos a crónica do Miguel, era um ídolo, pelo humor, pela ironia, pela inteligência.

  6. Percebemos hoje como esse inteligente optimismo faz tanta falta, amigos. E parece não surgir um MEC com 30 anos em 2013. Onde estará ele? demasiado ocupado a passar recibos verdes?

  7. nanovp diz:

    Faz falta sim senhor, é preciso que nos ré-inventemos, e isso já não é tão fácil….haja muita vontade e coragem!

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