O polar da Rita Vasconcellos

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Nem sempre é fácil começar pelo início. Sendo a ciência continuidade de descobertas, situar a génese dum conhecimento é tarefa quase impossível. Certo é a NASA, na senda da conquista espacial, ter logrado saberes que revolucionaram quotidianos no mundo todo. Vem este assunto ao caso da Rita Vasconcellos usar um belíssimo têxtil polar na última vez que nos vimos.

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Para desbravar a questão, revelam-se necessários conhecimentos anteriores: polímeros e plásticos. Etimologicamente, a palavra polímero quer dizer muitas partes. Dezenas de milhar de átomos constituem-nos segundo conjuntos de átomos repetidos. Pelo tamanho desmesurado, as moléculas (conjuntos de átomos) são designadas por macromoléculas ou cadeias. São classificados como naturais (a borracha, o algodão e a lã) ou sintéticos (polietileno, PVC e nylon).

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A civilização em que nos inserimos teve começo com três materiais: metais, cerâmica e vidro. Os plásticos são recentes em tempo histórico. O termo plástico deriva do adjetivo grego «plastikos» cujo significado é moldável. Na Europa, são consumidos, em média, 30 milhões de toneladas de matérias plásticas. Possuem tempo de vida útil como qualquer outro material. Inconveniente: as vantagens dos plásticos tornam-se desvantagens quando é pretendida a sua eliminação. É neste contexto que tem cabimento o processo de reciclagem e respetivas consequências.

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Curiosidades que podem mudar atitudes descuidadas na mistura dos plásticos e metais com o lixo orgânico:

– a reciclagem de cinco garrafas de PET (politereftalato de etileno normalmente utilizado em garrafas de bebidas gaseificadas), gera poliéster suficiente para uma T-shirt de tamanho XL;

– a reciclagem de vinte e cinco garrafas de qualquer líquido é suficiente para uma camisola de malha polar;

– a reciclagem de trinta e cinco garrafas basta para encher um saco-cama;

– a reciclagem de dez garrafas plásticas de água dá origem a um par de calças.

E viva o bom gosto da Rita ao cuidar do planeta!

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.
No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.
Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.

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4 respostas a O polar da Rita Vasconcellos

  1. riVta diz:

    ‘ganda pinta’
    o post claro!

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    ‘Ganda pinta’ tem o polar que usou. Vinte e cinco garrafas de litro em plástico et voilá!

  3. nanovp diz:

    Pensei que um “casaco porreiro e muita giro “, mas afinal é muito mais que isso….

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Se é! Quotidiano, afinal.

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