“Pra todo mundo, mas não pra qualquer um”

 

Leila Diniz

Leila Diniz em 1969

O mesmo coronel, que prendia e espancava os amigos, mandava-lhe flores. Recadinhos. Fiu-fius.

Mesmo que nada. 

Um dia conseguiu abordá-la, no camarim:

Como é que é isso, Leila: você dá pra todo mundo, menos pra mim?”

Obrigada. Um buquê lindo, incomum”- retrucou a atriz – “Pois é. Eu dou pra todo mundo. Mas não dou pra qualquer um”.

 

Sobre Ruy Vasconcelos

Nasci mais ou menos no Brasil. Vivi em alguns lugares distantes. Em trânsito. Em transe. Em tradução. Por aí, ocupado com palavras. Palavrinhas, palavronas. Conheci estes amigos portugueses um blogue atrás. E gostei do que li.
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14 respostas a “Pra todo mundo, mas não pra qualquer um”

  1. riVta diz:

    tão bem trazido

  2. Mário diz:

    Conheço uma carioca, fluminense, parecida com a Leila. Até fisicamente. A mesma atitude perante o amor e o sexo. Também namorou com um cineasta. Casou e descasou. Também só dá a quem ela quer e se ela quiser não importa se é casado ou não. O problema não é dela. Mas não pode ser de qualquer maneira. Ela é que decide. E ela é fascinante. Não ficaram as mulheres cariocas todas parecidas com a Leila?

  3. Bruto da Silva diz:

    QUINTA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2012
    Hoje tá fazendo 40 anos que Leila Diniz morreu. Uma mulher livre, solar, muito mais ela. Desdenhava de militância (se alguém lhe pedisse para levantar bandeiras, mandava enfiar a bandeira no cu), o que queria era curtir a vida plenamente, sem dar satisfações a ninguém. Mulher extraordinária, daquelas que infelizmente deixam a vida cedo demais.

    Em junho de 72 viaja pra Austrália pra receber um prêmio pelo filme Mãos Vazias, de Luiz Carlos Lacerda. Decide antecipar a volta em um dia, com saudades de Janaína. O avião em que ela viajava explodiu em Nova Déli, na Índia. Ela tinha 27 anos, e Janaína 7 meses – mesma idade em que a mãe a abandonou.

    http://mulheresquehonramorole.blogspot.pt/2012/06/leila-diniz.html

  4. Olinda diz:

    arrebitada.:-)

  5. nanovp diz:

    A começar nela, passando pelo texto e acabando no Milton, ou tudo ao contrário, ouvindo o Milton, a ler o texto e a olhar para Leila…

    • Ruy Vasconcelos diz:

      É, mas a simbiose mesmo vai pro charme do encontro entre a simplicidade despretensiosa do poema de Leila e esse arrebatamento harmônico e melódico do Milton. Aqui, ele canta acompanhando-se do violão e de uma banda de percussionistas que lança mão de instrumentos bastante heterodoxos, feitos pelos próprios integrantes. O grupo se chama Uakti. E às vezes soa como um sintetizador, quando não são mais que sandálias Havaianas percutidas contra canos de PVC, mind you.

  6. Ó Leila, Leila, dás-me um galo do caraças…

    • Ruy Vasconcelos diz:

      Sim, ela nos remete para aquela outra Layla, para a qual se canta: “You’ve got me on my knees”.

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Nova delícia que nos traz. Onde se demonstra a eficácia do curto e forte.

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