Vamos lá às construções na areia

castelo

É verdade que, quando a maré sobe, é irrevelante, para não dizer rídiculo, pormo-nos a discutir a quem pertencem os castelos que papás e filhinhos andaram a construir na areia da praia. Este blog que, tristes, os tristes escrevem, não quer ser mais do que um castelo na areia, semelhante à efémera pintura lúdica que certos índios americanos faziam, antes de lhes cortarem ou o pescoço ou as pradarias, sobre a areia, sobre as dunas.

O Escrever é tristemente lúdico, não quer convencer ninguém a coisa nenhuma, mas exulta, e exultam os Tristes, sempre que alguém, um visitante, se deixa contagiar por um tema, por uma ideia, por uma imagem. E sobretudo quando, de visitantes, os leitores  passam a comentadores. Não era George Bernard Shaw que dizia ser a aventura ideal aquela que se vivia por via postal? Cada comentário neste blog é a nossa aventura ideal.

Livres, os comentários dos leitores obrigam-se a uma regra simples, escarrapachadinha no Editorial lá em cima: “Os comen­tá­rios dos lei­to­res são bem vin­dos. São aber­tos, sem nenhuma cen­sura pré­via. Excluir-se-ão, a pos­te­ri­ori, os que sejam arbi­tra­ri­a­mente ofen­si­vos ou com­ple­ta­mente des­lo­ca­dos dos temas tratados.”

Nem sequer excluímos o anonimato, mas ajudem-nos a manter a praia limpa e livre e os castelos na areia. Os comentários são abertos e sem censura e podem ir do elogio à crítica mais veemente. Só pedimos que não sejam fulanizados, impertinentes ou recalcados. Aos comentários ad hominem, não hesitamos em apagá-los. Olhamos para esse tipo de comentários com um bocadinho de pena e apagamo-los dizendo, como Rivarol disse do infeliz Marat: “Foi pouca sorte, logo agora que tinha finalmente decidido tomar um banho.”

Marat

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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8 respostas a Vamos lá às construções na areia

  1. Olinda diz:

    tanta beleza e estranheza, juntas, no texto: o que são impertinências e fulanizações e recalcamentos – são pretensões objetivas por meio de palavras grávidas de intenção? e que olhos as conseguem ver, trovão, se de chuva miúdinha também estão prenhas as nuvens – e de sol e de clarão?

  2. Escrever é Triste diz:

    Cara Olinda, obrigada pelo comentário e comente sempre que é bem-vinda. Os comentários ad hominem são, por definição, os que, esquecendo os temas, as ideias, a matéria dos posts e do blog, visam apenas ofender alguém. É, felizmente, raríssimo acontecerem e percebo, por isso, a sua perplexidade. Mas, infelizmente até aqui, nesta praia lúdica, acontecem.

  3. Bruto da Silva diz:

    Como não gosto mesmo nada de mistérios, nem de indirectas rabecadas, atrevo-me a admitir que sei onde se levantaram estes lúdicos castelos na areia… só pode 😉

    Então desopilemos com uma valente desconstrução

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Além do justo recado, sensibilizou-me a pintura que, dias curtos, esteve em vias de publicação aqui.

  5. Bruto da Silva diz:

    Quase desfeito… 😉

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