Pas de Deux

Alegoria

Esta coisinha sublime chama-se “Alegoria da Visão e do Olfacto”. Foi pintada em 1618 por Jan Brueghel o Velho e Peter Paul Rubens. Em conjunto. Engendraram pelo menos 23 outras coisinhas sublimes a dois. Um tratava das figuras humanas, o outro das paisagens. A prática era comum na pintura flamenga do século XVII. É uma esplêndida alegoria do período que atravessamos. Imaginem o Lobo Antunes e o Gonçalo M. Tavares na escrita de um romance em parceria. Ou o Oliveira e o João Botelho a filmarem lado a lado. Talvez cada tempo tenha os autores que merece.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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8 respostas a Pas de Deux

  1. Que alegria neste, como é que lhe vamos chamar, museu quadro, patchwork… Acho que vi uma dessas obras em Dublin no National Museum, deles, dos dois… vou ver se descubro… Thanks, Peter

  2. riVta diz:

    Boa! Mas que bem lembrado.

  3. marie diz:

    Como diz o post do Manuel S.Fonseca em baixo, isto é “insuportável”.

  4. nanovp diz:

    Não dês muitas ideias Pedro, que isto também pode dar para o torto…em Portugal sempre que copiamos as fórmulas damos cabo delas….

  5. Joaquim Jordão diz:

    1618, “Alegoria da Visão e do Olfacto”. Pelo que vejo, cheira-me a cadavre exquis avant la lettre. Olhar com o nariz tapado, cheirar com os olhos fechados, são experiências sensoriais que podem dar resultados surpreendentes, alegorias insuspeitas. É o que acontece com textos, desenhos, pinturas feitos no regime do
    cadavre exquis. As aleg(o)rias improváveis é que deram consistência ao surrealismo.

  6. Não faço ideia, Manel, mas qualquer pretexto é bom para revisitar Dublin, nem que seja por uns segundos. Ainda bem que gostas, Rita. Marie, o par tem mais duas dúzias de palimpsestos insuportáveis – parece que o Prado é um bom sítio para começar. Bernardo, felizmente há artes que continuam a reconhecer o génio das colaborações, como a música. Obrigado pelo comentário, Joaquim.

  7. Carla Lopes diz:

    Gosto da idéia de quadros dentro do quadro.Neste tem até mesmo o que poderia ser um espelho.
    Obrigada por compartilhar!

  8. Maria do Céu Brojo diz:

    Pintura flamenga – adoro! Já vi mostras impressivas, mas a do Tyssen ali no Paseo Del Prado é de embasbacar.

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