The good ones

The Good Ones são um trio de sobreviventes do genocídio no Ruanda descobertos em Kigali pelo produtor Ian Brennan. O encontro  foi epifânico, se é que a palavra existe. E o álbum foi gravado ali mesmo, às escuras, no jardim de um vizinho, com uma guitarra a que faltavam duas cordas a fazer as vezes de baixo e uma segunda “desenrascada” à pressa por um amigo. Aqui e ali, lá longe, por trás das vozes melancólicas de Kazigira e Jeanvier, abafado pelas melodias de Hitimana, pode ouvir-se o ladrar triste de um cão.

Um hino à paz nas traseiras de um país dilacerado pela guerra. Ora oiçam lá:

 

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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9 respostas a The good ones

  1. adelia riès diz:

    🙂 🙂

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Ouvi «todinho». Onde se prova uma vez mais que a arte, neste caso a música, da crueldade das mágoas gera beleza. Thanks!

    • Pedro Norton diz:

      Ainda bem que gostou Maria do Céu. Eu tb já ouvi isto “todinho” um monte de vezes e não deixo de me emocionar.

  3. E canta-se. Mesmo nestas circunstâncias. Pasma-me isto do canto. Gostei muito. Merci.

  4. Isto foi gravado no Marçal, no Rangel ou no Prenda. Tenho uns ouvidos que andaram lá perto.

  5. nanovp diz:

    Grande descoberta! Muito bom …

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