A pequena gota de veneno

 

Jean Harlow

a little drop of poison

Não se vive sem a pequena gota de veneno.
Duas gotas de veneno e esta canção já não seria tão bonita.
Há no frágil desencanto o maior encanto e uma gota lírica na rouquidão de arrasto de Tom Waits.
A inocência também é isto, a sórdida decadência de cabaret, fumarem-se os amigos, os afogados desgostos de amor.
Se andam à procura de ternura, batam a janelas de cinismo, à porta da casa vazia.
Na parede há-de estar o retrato da pequena gota de veneno.

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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10 respostas a A pequena gota de veneno

  1. António Barreto diz:

    Boa malha.

  2. É um lindo elogio à rosadinha maçã de Eva. E mesmo um merci, Eva, darling. Fez bem, Manuel Fonseca, afinal, o que seria do homem sem a queda do homem? Uma grande maçada, toda a eternidade no spa de um déspota!

    Ps: as as maminhas tão bonitas da Jean Harlow são duas gotas de veneno e não me parece que uma esteja a mais…

  3. José diz:

    Escrever nem sempre é triste, mesmo quando é.

  4. Maracujá diz:

    Só mesmo a voz do Tom Waits e a pena do Manuel Fonseca para salvar o meu dia. Alguém mate as FINANÇAS! Sem veneno!

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Com esta me arrumou! Ai Tom Waits do meu coração…

  6. nanovp diz:

    Ouvi pela primeira vez na banda sonora do “End of Violence” do Wenders…muito certeiro Manuel, e o grande lirismo de Waits “Did the devil make the world while god was sleeping ” we hope not….

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