A seda e a chita

theswing

Onde é que foi? No Chiado, Tejo em baixo, ou no Porto, Santa Catarina? Sei que havia um farfalho de brisa, o faiscante sol de Verão a recortar à faca o horizonte e a esplêndida menina tentava, entre de e como, mover o coração materno. O que disse pareceu-me quase clássica literatura que nenhum Plano Nacional de Leitura deveria desdenhar. Camiliano e humilde, reproduzo:

 — Mas se eu fosse feliz com o meu vestido de chita e o homem do meu coração?
— Isso é romance, menina. Nunca é feliz, com um vestido de chita, a mulher que tem amigas com vestidos de seda.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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12 respostas a A seda e a chita

  1. Bruto da Silva diz:

    Grande sabedoria, maior ainda que a ligação daquele joelho ao coxal.

  2. Tudo verdades: a da filha, e a da mãe.

    Você e a Fragonard das caixas de bombons, Manuel Fonseca… que é isso?! Não sei me se cheira a Sena, se a fetiche…

  3. António Barreto diz:

    A dura verdade!

  4. Rita V. diz:

    Não sei não sei

  5. Olinda diz:

    na chita e no amor é que há emoção e calor – e larguem a seda, saias de alegria azeda. 🙂

  6. Maria João Freitas diz:

    Manuel,
    Bem dizem alguns grandes escritores que, para se ser um bom escritor, é preciso antes de mais ter ouvido. A literatura passeia ao nosso lado, nas ruas da cidade e nas páginas da vida.

  7. Carla L. diz:

    E eu aqui preocupada com o sapato…

  8. Maria do Céu Brojo diz:

    Sábias mãe e filha. E não é este o dilema que opõe utopia e realidade?

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