Agora que penso nisto…

Agora que penso nisto, vejo que não se acredita em Deus, no infinito que não principia nem acaba, nos Seus mistérios de regra e aleatoriedade, não por racionalidade mas por arrogância: acreditar Nessa maior maioridade, obriga-nos a aceitar a nossa pequenez. O problema do ateu não é com Deus, é com sua própria e  grande falta de humildade.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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16 respostas a Agora que penso nisto…

  1. Pedro Bidarra diz:

    cara Eugénia
    Arrogância, em tom inquisitorial, é o que parece emanar do seu epigrama.

    Do seu pequeno, insignificante e, às vezes arrogante, ateu

    Pedro

  2. Eugénia, há um episódio “touching” contado por Vinicius. Foi a Fátima a um 13 de Maio. Era de noite, e uma multidão maior do que as areias do deserto. Uma noite de joelhos e velas. Um múrmurio de orações. E Vinicius, ateu, conta que, naquele momento, essas dunas de fé, o sopro de tantas orações, o fizeram ajoelhar, um orado ó meu Deus na boca de tantas cantigas.

    • É muito comovente a procissão das velas. E bonita. Não conheço quem não tenha algo por que dar graças ou um anseio, uma daquelas coisas maiores que nós, e ali isso vê-se, há essa consciência palpável.

      Enfim, pelo menos eu, tenho um rosário de agradecimentos.

  3. Também lá estive e senti algo de muito forte, campo magnetizado. E vi o João Paulo II e uma data de timorenses vestidos a rigor – o que me impressionou porque eles queriam ser recebidos pelo Papa e não os deixaram.
    Mas gostei da experiência.
    Em todo o caso sou agnóstico.

    • É como diz: uma daquelas coisas de arrepiar. Sente-se de tal forma que parece que se vai poder agarrar.

      Também lá estive com João Paulo ii. Pertíssimo. Também nele há uma força inexplicável. Talvez seja por isso que falam na canonização.

      Tenho uma fé imensa. Do tamanho da minhas dúvidas. Mas sigo adiante.

  4. nanovp diz:

    Acredito que não é pela racionalidade. É pela experiência. De sentir, de viver. Pelo menos assim o é para mim, arrogância à parte!

  5. Mário diz:

    Eu diria que o mais fácil é não acreditar. Acho que ser ateu é a conclusão lógica. Claro que não existe. Não faz sentido. Se formos prudentes somos agnósticos. Just-in-case. Mas acreditar é outra coisa e não peçam a quem acredita que o demonstre. Não dá. Mas não acho que seja um caso de arrogância. Quem não acredita em Deus pode também não acreditar no Homem. Acontece.

    Bom post. Não é uma questão fácil.

  6. Interessante, tema difícil. Penso que está um pouco na moda ser-se – dizer-se que se é – ateu. Será que não acreditam mesmo em nada superior? nadinha? 🙂 Se calhar somos mais agnósticos… Acreditar não tem a ver com religião/religiões, no meu caso, é mais uma necessidade e força espiritual. Não gosto de rituais, por exemplo. Mas a cada um a sua forma de amparo. Porque duvido que este não seja preciso em muitas circunstâncias….

    • Mas os rituais fazem-nos tanto quanto nós a eles. Olhe, lavar louça a seguir à refeição, ter o dia certo para isto ou aquilo, a hora do despertador, o duche, lailailai: somos bichezas assentes em rituais…

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