Assumidamente Reaccionário

Quem me conhece sabe que desprezo com um carinho muito fofo a sobranceria e o ensimesmamento da larga maioria dos “agentes culturais”. Um autor é mais raro do que água fresca no Kalahari (em Portugal não haverá mais do que uma dúzia de verdadeira dimensão internacional, embora centenas garantam possuí-la). Mas um filme ou um livro não é um parafuso ou um laxante. A excepção cultural europeia no acordo comercial com os EUA é um selo mínimo de sobrevivência, um patamar básico de regulação. O facto de Molão Barroso o considerar reaccionário apenas assegura a sua justeza.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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5 respostas a Assumidamente Reaccionário

  1. adelia riès diz:

    Sou pela excepçao cultural. Sou por todas as excepçoes culturais. Do Leste a Oeste. Agradeço que tenha escrito o que escreveu. Bem Haja.
    Na capital europeia, havia alguns que chamavam o presidente, ‘o Barao Durroso’. Mas era naqueles tempos, mais mansos.

  2. Joaquim Jordão diz:

    Ora bem! Basta ver que, por definição, cultura é o fruto da excepção.
    Abolidas as diferenças, instalada a uniformidade, a standardização toma conta do negócio.
    É disto que se trata nesse tal de acordo comercial, não?
    Apoio a posição dos franceses nesse processo do acordo. Mas entretanto, mesdames, messieurs, atenção a esse conceito de “excepção cultural europeia” – também não podem perder de vista que, cá dentro da Europa, existem diversas identidades, inúmeras excepções, que devem ser valorizadas e protegidas.

  3. Obrigado pelo seu comentário, adelia. Concordo, Joaquim: as excepções são para ser devidamente analisadas, caso a caso. E no que toca à Europa, do que se trata é de excepções nacionais, não de uma bandeira europeia empunhada pela França (a partir do século XIX, quando a França pega numa bandeira é sempre de desconfiar).

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Bem visto, melhor dito. Sem papas na língua como eu gosto.

  5. nanovp diz:

    Pois resta desejar felicidades, e que sejam muitas…

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