Da memória

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No deserto do Atacama, bem no norte do Chile, onde o céu é mais translúcido, vive uma importante comunidade de astrónomos. No céu, por trás do céu, procuram o passado. São arqueólogos de um tempo que já foi.

Pelo deserto do Atacama, bem no norte do Chile, onde a terra perdeu toda a humidade, erra um trágica comunidade de mulheres. São mães, esposas, amantes de desaparecidos da ditadura de Pinochet. No solo, por baixo do solo, procuram o passado. São arqueólogas da dor.

É de passado que trata o assombroso “Nostalgia de la luz” de Patricio Guzman. É de passado e é de memória. Porque “a memória tem força de gravidade. Os que têm memória conseguem viver no frágil momento presente. Os que a não têm vivem lado em lado nenhum

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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5 respostas a Da memória

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Há sempre uma ligeira dor e poeira fina no ar, quando se observam as tribos que erram…

  2. E a minha lista amazónica cresce…

  3. Olinda diz:

    é estranho o esqueleto humano: pés de presente com mãos de futuro e cabeça de passado.

  4. nanovp diz:

    É a memória que indica o futuro, e que dá sentido ao presente…já a nostalgia é diferente…vou ver se arranjo o filme…

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Vou-me em busca da maravilha.

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