Devíamos, de língua a língua, falar mais francês

gramatica

Não sei se o amor é persa ou provençal ou se, em cantigas, é de amor ou de amigo. Mas sei que uma língua que se deshabille, uma língua que para vir fresca vem decolleté só pode ser uma língua de amor. Uma língua em que baiser é o beijo que de boca a boca nos sai, mas que ainda baise quando já cada boca para seu lado sôfrega respira, uma língua em que amante, por ser mestra e ser senhora, ou senhora e mestra, é de nós maîtresse, uma língua em que cada êxtase tem a teleológica doçura de la petite mort, essa língua é amoureuse, ou talvez, por tanto amar, na minha língua, langue fou (só para rimar com amour que esse, sim, é fou).

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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5 respostas a Devíamos, de língua a língua, falar mais francês

  1. adelia riès diz:

    J’aime. C’est tout dire.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Oh e antes que venham dizer, bem sei que la langue devia ser folle, mas ficou, de tanto amor, fou.

  2. Santíssimo sacramento! Num blog de família, Manuel Fonseca… parece mentira! Nunca mais digo merci.

  3. nanovp diz:

    Soa e sente-se diferente…

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